Nações em desenvolvimento testam laptop de US$150

Do Brasil ao Paquistão, algumas das crianças mais pobres do mundo terão a chance de cruzar o abismo da exclusão digital este mês lendo livros eletrônicos, gravando vídeo digital, criando música e conversando com colegas de aula online. Fundada por acadêmicos oriundos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a organização "One Laptop per Child" ("Um Laptop por Criança") vai distribuir quase 2.500 de seus notebooks de US$ 150 para crianças de oito países em fevereiro. O experimento é um teste de distribuição em massa de laptops educacionais a partir de julho, quando 5 milhões estarão fabricados. Entre as características do aparelho estão uma manivela que permite o carregamento da bateria sem necessidade de uma rede de eletricidade, uma câmera de vídeo digital, conectividade sem fio e softwares abertos baseados no sistema operacional Linux. Os responsáveis pelo projeto afirmam que o preço do dispositivo vai cair a US$ 100 no próximo ano, quando esperam produzir 50 milhões das máquinas chamadas de "XO". Depois disso, a expectativa é que o preço caia ainda mais até 2010, quando esperam ter alcançado 150 milhões de crianças. "Estamos buscando sempre a queda do preço", disse Walter Bender, presidente de software e conteúdo da OLPC, à agência de notícias Reuters. "Em vez de continuarmos acrescentando recursos para manter o preço inflado, manteremos as características e preço em queda." Um cordinha substituiu a manivela que era usada para dar energia ao laptop. Um minuto de uso do sistema é suficiente para dar uma carga de 10 minutos de eletricidade. A tela muda de colorido para preto e branco para permitir a visualização sob luz do sol direta, recurso que não está disponível em notebooks que custam 10 vezes mais. Educadores no Brasil, Uruguai, Líbia, Ruanda, Paquistão, Tailândia e possivelmente Etiópia e Cisjordânia receberão as primeiras máquinas no programa piloto de fevereiro antes de um lançamento mais amplo que incluirá Indonésia e outros países. Críticas Mas nem todos estão aplaudindo o projeto. Alguns afirmam que ele será um fardo financeiro para os países e que não tem garantia de sucesso. Outros afirmam que o dinheiro na aquisição das máquinas seria melhor empregado em alimentos, remédios, bibliotecas e escolas. Algumas autoridades africanas questionam se o laptop se enquadra à educação de crianças fora dos Estados Unidos. E outros ainda perguntam se os notebooks acabarão sendo revendidos em mercado negro por famílias que precisam de dinheiro. "Do lado da tecnologia, eu acredito que o projeto é incrível e maravilhoso", disse Wayan Vota, cujo blog monitora o projeto. "O que me dá receio são as implicações sociais, as implicações econômicas" de como eles planejam implementá-lo. "Essencialmente eles querem que países em desenvolvimento, ou países que têm um déficit financeiro significativo ou outros compromissos, precisem de mais financiamento ou usem seus recursos limitados para comprar laptops e implementá-los sem que se tenha testado a viabilidade em larga escala." Vota, que também é diretor da Geekcorps, uma organização sem fins lucrativos que promove a tecnologia da comunicação em países em desenvolvimento, prevê custos elevados para alguns países. "Se você olhar para o custo de distribuir um laptop para cada criança nigeriana, isso acaba se convertendo em 73% do orçamento total da Nigéria", disse ele. Bender afirma que os laptops podem ser remotamente desligados o que impediria de serem vendidos no mercado negro. Mas Vota afirma que hackers tentarão comprá-lo e poderão facilmente quebrar o sistema de proteção. "Para pessoas que ganham um dólar por dia, a tentação de vendê-lo por US$ 300 é muito forte", disse ele.

Agencia Estado,

12 Fevereiro 2007 | 16h42

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