'Nada acontecia sem a prévia aprovação de Dirceu', diz procurador

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta sexta-feira durante sua sustentação oral no julgamento dos acusados de envolvimento no chamado mensalão que "nada acontecia" no suposto esquema sem o consentimento do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Reuters

03 de agosto de 2012 | 15h44

Gurgel, que abriu o segundo dia do julgamento nesta sexta após o cronograma do processo ser atrasado na véspera por conta de uma questão de ordem apresentada por um dos advogados, reiterou a tese da Procuradoria Geral da República (PGR) de que Dirceu era o "chefe da quadrilha" do mensalão.

"José Dirceu foi a principal figura de tudo o que apuramos. Foi o mentor do grupo", disse Gurgel, que terá cinco horas para apresentar a acusação no processo que conta com 38 réus. "Nada acontecia sem a prévia aprovação de Dirceu."

Deflagrado em 2005, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mensalão seria um esquema de compra de apoio parlamentar em troca de recursos públicos.

"Foi, sem dúvida, o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil", disse o procurador.

"Maculou-se gravemente a República, instituiu-se à custa do desvio de recursos públicos uma sofisticada organização criminosa, um sistema de enorme movimentação financeira, à margem da legalidade com o objetivo escuro de comprar os votos de parlamentares."

No primeiro dia do julgamento ao chegar ao STF, o advogado José Luís Oliveira Lima, que defende Dirceu, afirmou que o petista deve ser absolvido por não haver provas sobre a participação dele no suposto esquema do mensalão.

Dirceu é o principal réu no processo do que ficou conhecido como mensalão. Segundo a PGR, ele formava o "núcleo político" do esquema, ao lado do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, do ex-presidente da sigla José Genoino e do secretário-geral do partido à época, Silvio Pereira.

(Reportagem de Ana Flor e Hugo Bachega)

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