Nadador paraguaio enfrenta 'falta de piscina' a caminho dos Jogos

Benjamin Hockin treina em piscina de 25 metros, já que país não tem infraestrutura adequada para o esporte.

BBC Brasil, BBC

26 Abril 2012 | 12h43

O nadador paraguaio Benjamin Hockin se prepara para disputar os 200 metros livres nos Jogos Olímpicos de Londres sem ter uma piscina apropriada para treinar.

Hockin conseguiu se classificar no fim de março com um tempo de 1 minuto, 47 segundos e 79 centésimos, mas ele e seus companheiros de equipe têm de dividir uma piscina de 25 metros - a metade do tamanho de uma piscina olímpica - com dezenas de crianças que fazem aulas de natação no local.

"Infelizmente, aqui no Paraguai, em natação, não contamos com a infraestrutura (necessária)", disse o atleta à BBC Mundo.

"É uma pena para os nadadores e para o próprio povo paraguaio, já que este é um esporte que pode ajudar muito a população."

Superação

Apesar de não ter as mesmas condições de treino que os atletas com quem vai competir, de países como Estados Unidos, França e Austrália, Hockin passou a ver vantagens na falta de uma piscina apropriada.

"Isso ajuda a me preparar mentalmente. Você foca no treinamento, apesar de não ter as condições adequadas. E isso te dá um 'extra' de superação."

Até o momento, ele tem conseguido bons resultados. Hockin é o atleta paraguaio melhor classificado atualmente e um dos principais candidatos a desfilar com a bandeira do país na abertura da Olimpíada no dia 27 de julho.

Mas esta não é a primeira vez que o nadador de 25 anos compete em Jogos Olímpicos e o Paraguai não é o primeiro país que ele representa.

"Nasci em Barranquilla, Colômbia, de pai inglês e mãe paraguaia", explica ele.

O pai de Hockin trabalhava na Colômbia na época de seu nascimento, mas pouco tempo depois a família voltou ao Paraguai.

O atleta conta que sua mãe o iniciou no esporte desde cedo.

"Enquanto fazia as tarefas domésticas, ela me deixava em um latão com água para me acalmar. Também passou a me levar desde cedo para nadar na piscina."

"Entre os 16 e os 24 anos, vivi na Europa. Competi em Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) e depois no Reino Unido", disse o atleta.

'Volta às origens'

Foi pela Grã-Bretanha que Hockin se classificou para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, como parte da equipe de revezamento 4 x 100 metros, com a qual chegou à final.

"Foi uma surpresa, porque a Grã-Bretanha não tem tradição no esporte, e os franceses e americanos eram os favoritos. Mas foi um momento impressionante, que está guardado em meu coração."

Apesar disso, Hockin decidiu deixar para trás os luxos da infraestrutura britânica pelas instalações precárias do Paraguai.

"Meus amigos são daqui. Adoro morar aqui. Este é o melhor país do mundo, e olha que já conheci vários países", disse ele.

Em 2010, o atleta conseguiu três medalhas de prata (100 metros livres, 200 metros livres, 100 metros borboleta) e uma de bronze (50 metros borboleta) já pelo Paraguai, nos Jogos Sul-Americanos.

Logo depois, as autoridades do esporte alegaram que Hockin não havia anunciado adequadamente a mudança de nacionalidade e ele foi suspenso de todas as competições internacionais por um ano.

Em maio de 2011, ele pode voltar a competir. Nos Jogos Panamericanos, em setembro, ele conseguiu a medalha de bronze nos 200 metros livres. E ele diz que desde então não tem sentido nenhuma hostilidade pelo fato de ter mudado de país.

"São dois períodos diferentes da minha vida. Eu agora me sinto muito paraguaio, minhas raízes estão aqui."

Depois dos jogos de Londres, Hockin já olha para o futuro.

"Tenho consciência de que (no Paraguai) o futebol é o esporte que manda e que gera mais dinheiro. Por isso, temos tentado levantar a natação com uma base jovem", disse Hockin.

"Para ver os resultados, é preciso fazer um trabalho constante e de longo prazo, por isso o objetivo (da equipe paraguaia de natação) é Rio 2016." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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