Não acho certo o que ela fez', diz mãe

Maria Abdalla denunciou a filha por fraude

JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h04

A mãe que denunciou a filha por pedir ajuda pelo celular para fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anteontem, em Sorocaba, disse ontem que não se arrepende. "Eu não queria, de forma alguma, prejudicar a minha filha, mas eu não acho certo o que ela fez", justificou.

Durante mais de uma hora, Maria Lúcia Diniz Abdalla e a filha trocaram mensagens, enquanto a garota fazia a prova. Embora tivesse feito menção de ajudá-la, a mãe procurou os responsáveis pela aplicação do exame e alertou sobre a irregularidade cometida pela filha. A garota de 17 anos, que fazia a prova como treineira, foi localizada e eliminada.

"Minha filha não estava concorrendo para valer, mas outras pessoas podem ter usado o mesmo expediente para se favorecer em prejuízo dos demais concorrentes". Ela contou que outra filha fez a prova do Enem, não usou o celular e poderia ser prejudicada.

Enquanto falava com a filha treineira, Maria Lúcia decidiu ir até o local da prova, na Universidade de Sorocaba, para alertar os fiscais sobre o que ocorria.

A estudante fez o primeiro contato com a mãe, por meio de mensagem ao celular, às 14h11. Ela passou um endereço de internet citado numa das questões de português e pediu à mãe que fizesse o acesso para ajudá-la na resposta. Também perguntou o significado de mediana - a mãe não entendeu que a filha falava no termo usado em matemática e respondeu: "O seu cérebro é mediano..."

Depois, a jovem citou o tema da redação. Em um dos trechos da conversa virtual, que seguiu até as 15h06, a mãe afirmou: "Vou te ajudar a conseguir uma nota boa". Mais tarde, a filha avisou: "Vou mandar o site de port (português) e o começo da pergunta". A seguir, a jovem posta: "Arquipélagos pt a pintura e o poema". A mãe responde: "A tia Cris vai te ajudar, fique aí".

A organização do Enem informou que os candidatos foram orientados a depositar aparelhos eletrônicos em sacos plásticos que eram lacrados e guardados sob a carteira, podendo ser resgatados somente ao término da prova. Após a denúncia da mãe, um rastreador foi utilizado para localizar o equipamento ativo.

Os organizadores não explicaram como a garota conseguiu ficar mais de uma hora com o celular em uso.

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