Não confunda com árabe. É turco

Luiz Américo Camargo,

10 de junho de 2010 | 12h03

No cardápio. Saladas, pratos leves e várias opções de pequenas porções, além das pides, variação crocante da esfiha, assadas na hora.

 

 

O estilo de vida da Anatólia. Você consegue imaginar o significado dessa expressão? Acho difícil dissociar o nome da famosa península - que corresponde à porção asiática da Turquia - dos textos de história que citam povos antigos como os hititas e falam de impérios como o otomano. Mas, enfim, é o sabor anatoliano, mais precisamente da região sul, que o Kosebasi informa trazer a São Paulo.

 

Uma das mais bem-sucedidas redes europeias de restaurantes, presente em vários países, o Kosebasi funcionava no shopping D&D. Agora em nova fase, a grife turca reabriu no Itaim-Bibi, no mesmo endereço que já abrigou um dos restaurantes mais famosos da cidade, o extinto Le Coq Hardy. A reforma mudou todo o espaço, ainda que tenha sido mantida uma atmosfera mais para formal.

 

Mas e o tal sabor anatoliano do sul? Talvez, num primeiro exame, muita gente não note grandes diferenças daquilo que aprendemos a identificar como cozinha árabe. E quem sabe até enxergue afinidades com a chamada culinária mediterrânea - aquele vago país gastronômico que vai imprecisamente de Lisboa ao Bósforo -, dada a presença constante de tomates, berinjela, azeite.

 

É fato que existem mesmo semelhanças entre receitas e práticas de todos os países que tiveram contato com o Império Otomano. Também não podemos esquecer que sírios e libaneses, quando vieram para o Brasil - a propósito, a colônia árabe predomina no Kosebasi - eram chamados de turcos, por conta da dominação otomana. E a Anatólia do sul, finalmente, é a região das mezzés (os pequenos pratos que fazem a função de entrada) e dos kebabs.

 

O cardápio convida a pedir coisas variadas, para que tudo seja provado aos bocados. Seus pães "balão", pequenos e de massa quebradiça, derivação turca do pita, são assados no forno a lenha e repostos a todo instante. As mezzés, cuja degustação, com oito tipos, sai por R$ 29, são apetitosas e delicadas, ainda que algumas linhas de sabor sejam repetitivas - coalhada com ou sem pepino; tomate picante, tomate não picante, etc. As pides, variação crocante da esfiha, moldadas em forma de elipse, com coberturas como as de carne de cordeiro acebolada (R$ 9) e queijo com cogumelos (R$ 8) são leves e equilibradas.

 

O espírito de compartilhamento, entretanto, não se restringe às pequenas porções. Funciona com os pratos, entre os quais se destacam os bem servidos kebabs - o "do chef", com tenros cubos de cordeiro servidos com coalhada, sai por R$ 48. E também com as guarnições, entre elas o couscous de legumes (R$ 11) e o ravióli manisi (R$ 14), uma massa miúda e sutilmente recheada com pedacinhos de carne. Não há, em resumo, grandes variações de repertório. Mas é diversão garantida.

 

Uma observação sobre o atendimento, que é muito cortês, ainda que titubeante. Nos primeiros dias de funcionamento, a casa estava dando aos clientes um desconto no preço final. A justificativa: se as coisas não estavam 100%, não era justo cobrar o valor total. Deveria virar moda. Agora, já está valendo o preço integral. Olhando ao redor, as mesas estão repletas de pratos. E é interessante notar que libaneses, brasileiros e outros povos ali presentes, todos tornam-se turcos. Mas não mais pela força e por questões políticas. Apenas pelo apetite.

 

 

ONDE FICA:

 

Kosebasi

R. Jerônimo da Veiga, 461, Itaim-Bibi, 2362-9968. 11h30/1h30.

Cc.: todos.

Cardápio: De origem turca, destacando mezzés e kebabs, entre outros pratos.

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