Não deixe que o Facebook faça você se sentir miserável

Ao contrário das publicações do Facebook, as pesquisas do Google revelam as verdades que são ocultadas nas redes

Seth Stephens-Davidowitz/ THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2017 | 20h56

Agora é oficial. Acadêmicos analisaram os dados e confirmaram o que no fundo já sabíamos: as redes sociais estão nos fazendo sentir miseráveis. Já desconfiávamos, claro, que não é possível que todo mundo seja tão bem-sucedido, rico, atraente, relaxado, inteligente e feliz como aparenta no Facebook. Entretanto, não conseguimos parar de comparar nossa vida real com as vidas turbinadas de nossos amigos. 

O mundo real é bem diferente daquele da rede social. Os americanos, por exemplo, gastam seis vezes mais tempo lavando pratos que jogando golfe. No entanto, há duas vezes mais tuítes falando de golfe que de lavagem de prato. 

A busca por status online toma rumos peculiares. O Facebook trabalha com uma empresa de fora para reunir dados sobre os carros que as pessoas possuem de verdade. Mas também tem dados sobre os carros com os quais as pessoas se identificam, com base nas postagens. 

Assim, sabemos que donos de carros de luxo como BMWs e Mercedes falam duas vezes e meia mais de seus veículos que os donos de carros comuns. 

Pessoas diferentes em lugares diferentes podem ter diferentes ideias do que seja “in” e “out”. Segundo dados de 2014 do Spotify Insights sobre que músicas as pessoas ouvem, homens e mulheres têm gostos semelhantes: 29 dos 40 músicos que as mulheres mais ouvem estão também entre os mais ouvidos pelos homens. 

No Facebook, porém, os homens parecem ocultar seu interesse em artistas vistos como “mais femininos”. Um exemplo: no Spotify, Katy Perry aparece em décimo lugar entre os músicos mais ouvidos por homens, batendo Bob Marley, Kanye West, Kendrick Lamar e Wiz Khalifa. Já no Facebook, esses artistas têm mais curtidas entre os homens do que Katy. 

Passei os últimos cinco anos investigando o interior alheio, comparando dados de buscas do Google. As pessoas tendem a dizer ao Google coisas que não revelam na mídia social. 

Nas redes, os principais complementos da expressão “Meu marido é...” são “o melhor”, “meu melhor amigo”, “incrível”. No Google, entre os cinco complementos que mais aparecem está também “incrível”. Mas os outros quatro são “um idiota”, “chato”, “gay” e “malvado”. 

Com os dados recolhidos ao longo de cinco anos na frente de telas de computadores, passei a me sentir menos só em minhas inseguranças, ansiedades, conflitos e desejos. 

Você pode não ser um especialista em dados. Ainda assim pode usá-los para reduzir sua compulsão à inveja. Cada vez que se sentir por baixo por ter se promovido demais no Facebook, vá para o Google e comece a digitar no campo de buscas. Digite “eu sempre...” e surgirão coisas como “eu sempre me sinto cansado, ou “sempre tenho diarreia”. Isso pode ser um forte contraponto à rede social, na qual as pessoas sempre “parecem” estar em férias no Caribe./TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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