Não há negociação com bombeiros, diz governo do RJ

O governo do Rio de Janeiro confirmou que não há mais nenhum canal de negociação com os bombeiros fluminenses. Os militares estão em estado de greve desde a manhã de sábado, depois que o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) expulsou um grupo de bombeiros que havia tomado o Quartel Central da corporação na noite de sexta-feira. Foram presos 439 militares.

ALFREDO JUNQUEIRA E CAROLINA SPILLARI, Agência Estado

06 Junho 2011 | 12h56

Apesar de o governador Sérgio Cabral (PMDB) ter se recusado a falar sobre o assunto na manhã de hoje, após solenidade no Palácio Guanabara, o secretário de Estado da Casa Civil, Regis Fichtner, disse que as conversas com os bombeiros foram encerradas após o episódio no Quartel. "Tínhamos um canal de negociação, mas ele foi fechado por causa da invasão", limitou-se a dizer Fichtner. Sorrindo, Cabral disse à imprensa que qualquer informação sobre a questão dos bombeiros seria tratada pelo coronel Sérgio Simões, comandante-geral da corporação, nomeado pelo governador na manhã de sábado.

Os bombeiros alegam que o governo se recusou a conversar sobre as reivindicações desde que o movimento por melhorias de salário começou, há cerca de três meses. As negociações teriam se limitado a reuniões com o líder do governo na Assembleia Legislativa (Alerj), deputado André Correa (PPS), e com o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa. A categoria pleiteia aumento do piso salarial dos atuais R$ 950 líquidos para R$ 2 mil, além de melhorias das condições de trabalho e benefícios como vale-transporte.

OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) defendeu, em nota divulgada hoje, que o governo do Rio de Janeiro garanta salários dignos ao Corpo de Bombeiros. De acordo com a OAB, "as reivindicações dos bombeiros são justas e legítimas. Os vencimentos da categoria são, reconhecidamente, aviltantes e devem ser reajustados imediatamente".

A tomada do Quartel General dos bombeiros, no entanto, não contou com o apoio da entidade. A ocupação "não pode ser aceita num Estado democrático de direito e só contribui para acirrar os ânimos e diminuir o apoio da população às justas pretensões salariais dos bombeiros", acrescentou a entidade.

A OAB-RJ pontuou ainda que as afirmações do governador sobre os bombeiros não contribuem com as negociações. "Os bombeiros de nosso Estado são benquistos e admirados pela população fluminense e não são - nem devem ser tratados como tal - ''bandidos''." O governador Sergio Cabral chamou os bombeiros de vândalos e irresponsáveis, em entrevista à imprensa, no sábado.

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