Não há relação entre casos de aids e carnaval, diz tese

Os testes para detecção da aids e os índices de infecção por HIV não aumentam depois do carnaval, apesar do senso comum de que nesse período as pessoas fazem mais sexo sem proteção.

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h04

O ginecologista e obstetra Christóvão Damião Júnior analisou 64,5 mil exames realizados de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, no Laboratório Central de Saúde Pública Miguelote Viana, em Niterói, no Grande Rio. Não encontrou nenhum padrão.

Identificou que houve redução no número de testes e resultados positivos nos meses de fevereiro. O trabalho, tese de mestrado defendida ontem na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta para a importância de campanhas preventivas ao longo do ano. A média de testes feitos em fevereiro ficou em 749,8 exames - a mais baixa em comparação com os outros meses do ano. A média de positivos mês a mês teve resultado aleatório.

"Queríamos saber se haveria repercussão das campanhas nos testes sorológicos após essas datas festivas e isso não ficou demonstrado", afirmou o médico, que também analisou o número de bebês nascidos em novembro. "Não houve aumento da natalidade nem de abortos. Quem faz sexo sem proteção no carnaval tem esse comportamento ao longo do ano."

Procurado, o diretor adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, afirmou que não haveria como financiar campanhas de tevê ao longo do ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.