Não há vestígio de falha em manetes, indica IC

O maior desastre da história da aviação brasileira, que deixou 199 mortos, completa um ano na quinta-feira

José Dacauaziliquá, Jornal da Tarde

15 Julho 2008 | 08h25

O laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre o acidente com o Airbus A320 da TAM em Congonhas deve ser concluído na primeira quinzena de setembro. Três quartos do documento estão redigidos. O relatório deverá ter 350 páginas e será dividido em seis capítulos: pista; destroços; manetes; gravadores de vôo e voz; manutenção, e procedimentos dos pilotos. O maior desastre da história da aviação brasileira, que deixou 199 mortos, completa um ano na quinta-feira.   Veja também: Tudo sobre o acidente com o vôo 3054  Todas as notícias sobre a crise aérea no País  O início e o histórico da crise aérea  Especial: as histórias por trás das vítimas do vôo 3054  O ponto-chave é o posicionamento dos manetes (mecanismos que determinam a direção da propulsão da turbina), examinados no Brasil e na França - onde passaram por tomografia e radiografia que resultaram em quase 2 mil imagens. "Depois eles voltaram para cá, e examinamos dente a dente de cada uma das engrenagens", disse o perito responsável pelo laudo, Antonio Nogueira.Segundo ele, o manete do lado direito (referente ao reverso que estava travado) não foi tirado da posição de aceleração. Também não foi encontrado vestígio de falha na transmissão. Mas ele também opina que o sistema mecânico não é o único a ser considerado. "A outra coisa envolve os procedimentos adotados pelo piloto, que tem a ver mais com a parte psicológica, que eu não estou apto a examinar. Quem faz isso é com muita propriedade é o pessoal do Cenipa."Sobre a pista, Nogueira afirma que ela estava dentro dos padrões internacionais, mas não para todo tipo de situação. Pousos em dias de chuva e aterrissagens de aeronaves com reverso (que inverte a direção da força da turbina) pinado (travado) não eram recomendados - duas características do acidente. Ele também nota a falta de grooving (ranhuras) em Congonhas. O exame nos pneus revelou que não houve hidroplanagem (deslizamento causado por lâmina d''água) e que não foram acionados spoilers (aletas laterais nas asas), antiskid (que evita o travamento das rodas) e autobrake (freio). Nogueira também diz que a manutenção da aeronave estava em dia.

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