Não se reprima

Saber cantar bem é um dom. Ninguém aqui do Divirta-se nasceu com ele, mas achamos injusto não poder comemorar o Dia do Cantor cantando. Até porque, cá entre nós, quem nunca soltou a voz no chuveiro ou cantarolou sozinho no meio do trânsito? Mesmo a afinação não sendo o nosso forte, decidimos parar de usar o pote de xampu como microfone e encaramos os palcos de alguns bares de karaokê da cidade para "espantar os males", assim como manda o bom e velho ditado popular. Pagamos alguns micos, engasgamos em algumas estrofes e até erramos as letras, mas também ganhamos alguns aplausos. E no meio dessa aventura fomos descobrir que cada casa atrai um perfil diferente de público. Nos 12 lugares visitados, há aqueles que são ideais para dar um show para a galera, outros que são mais reservados. E, acredite, dá até para paquerar - mesmo desafinando.

Gabriel Perline, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2013 | 02h25

Tem alguma coisa na água do Aldebaran Bar & Karaokê que faz você ter cada vez mais vontade de cantar e passar boas horas ali se divertindo. Na verdade, são dois os elementos que tornam o lugar especial: o público, que incentiva até os mais tímidos e desafinados a subirem no palco, e o gerente Gil, que passa de mesa em mesa brincando com os clientes e, muitas vezes, surpreende ao escolher por conta própria uma música e convidar, aleatoriamente, alguém que esteja tentando fugir do microfone. A iluminação é focada no artista da vez, com pequenos spotlights direcionados ao cantor. No salão, a luz é reduzida, deixando o ambiente ainda mais aconchegante.

Al. Nhambiquaras, 2.004, Moema, 5096-1083. 19h/últ. cliente. R$ 15 (5ª, 6ª e sáb., R$ 18; fecha 2ª).

 

O Corcoran é ideal para ver e ser visto, e para paquerar. Tem jeitão de balada, com DJ e locução. Os jovens costumam dominar a casa e adoram fazer gracinhas enquanto soltam a voz. Basta tocar 'Pintura Íntima', do Kid Abelha, para ouvir as frases manjadas no meio do refrão: "fazer amor de madrugada - em cima da cama, debaixo da escada". Mas é divertido. Uma câmera instalada na frente do palco substitui as paisagens cafonas tradicionais pela imagem do cantor da vez.

R. Afonso Brás, 657, V. Nova Conceição, 3845-0635. 3ª a 5ª, 18h/0h; 6ª, 18h/4h; sáb., 20h/ 4h. R$ 20/R$ 25.

 

Não tem espaço para firulas no Vivos Bar. Literalmente: o lugar, que funciona como karaokê durante a noite, é bem pequeno, e nem tem palco. Bem simples, a casa fica na movimentada Avenida Doutor Arnaldo, em frente ao Cemitério do Araçá (daí a ironia no nome). Não precisa pagar nada para cantar, desde que se consuma alguma coisa (vale apostar em porções de boteco como a de mandioca com carne seca, R$ 29). E pode liberar o brega que existe em você - a maioria das músicas disponíveis no karaokê é brasileira. E sobram opções de pagode, sertanejo...

Vivos Bar. Av. Dr. Arnaldo, 1.215, metrô Sumaré, 2305-5406. 18h/4h.

 

Dá para se perder e até brincar de esconde-esconde no Coconut. Para ter uma noção, aos finais de semana, a casa chega a atingir lotação máxima: 1.500 pessoas, distribuídas pelas 15 salas. O público é misto, mas os jovens de até 25 anos são maioria. Na sala principal, que leva o nome de Hebe Camargo, cabem até 600 pessoas e a DJ Elaine transforma o espaço em balada por alguns minutos durante a madrugada. No catálogo, 130 mil músicas, em seis idiomas. As que fazem mais sucesso são as brasileiras, principalmente forró e sertanejo universitário.

R. Canuto do Val, 41, metrô Santa Cecília, 3224-0586. 18h/últ. cliente. R$ 15.

 

No bairro japonês, modernos, turistas e festas de aniversário se encontram na tradicional Chopperia Liberdade. O público eclético tem sempre o mesmo propósito: uma boa farra entre amigos. Pagode, sertanejo e o hit 'Show das Poderosas', de Anitta, são as que mais animam a pista do bar. Desafinar no palco é sinônimo de sucesso entre a galera. Ah, tente abstrair o cheiro de fritura misturado com churrasco que perpetua no ambiente. Esse é o tempero secreto de toda a diversão. R. da Glória, 523, metrô Liberdade, 3207-8783. 19h/últ. cliente. R$ 10 (R$ 2, por música).

 

Não se assuste com a decoração kitsch. O pole dance e o globo espelhado são os charmes do Tequila's. A maioria torce o nariz à primeira vista, mas depois de alguns copos de cerveja se pegam fazendo graça na haste metálica. Dica preciosa: cante uma música romântica e ganhe um "banho" de fumaça de gelo seco para deixar sua performance inesquecível.

R. da Glória, 543, metrô Liberdade, 3207-0377. 21h/últ. cliente. R$ 15.

 

A pequena e discreta entrada do Yellow K surpreende quem visita o local pela primeira vez. O karaokê passou por uma grande reforma no início do ano e ganhou uma decoração alegre, cheia de pufes, que faz o público se sentir na sala de casa. No salão principal, os grupos se divertem com as mais de 25 mil músicas do catálogo. Já o Box é reservado para eventos. Os clientes são mais engomadinhos, mas nada tímidos na hora de soltar a voz. Para cantar, paga-se R$ 5 por três músicas. Al. Lorena, 514, Jd. Paulista, 3884-2151. 3ª a 5ª, 20h/ 3h; 6ª e sáb., 20h/4h. M., R$ 25 (R$ 45 consum.); H., R$ 35 (R$ 55 consum.).

 

Se a sua turma é grande, você pode conseguir lotar uma das salas do Siga La Vaca, que recebem até 50 pessoas. Mas a ideia é que você aproveite a noite para cantar com outros grupos e encontrar a sua alma gêmea musical. É bom se agilizar para escolher a sua música: o tempo passa, as pessoas se soltam e, aí, a fila cresce. Enquanto espera a sua vez, peça uma porção de pastéis (R$ 18). R. Canuto do Val, 97, metrô Santa Cecília, 3224-0586. 18h/últ. cliente. R$ 15.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.