''Não vamos gastar porque temos eleição''

Lula tentou passar mensagem de que governo não vai descuidar das contas apesar das medidas fiscais

ADRIANA FERNANDES, RENATA VERÍSSIMO e FABIO GRANER, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

Apesar do anúncio de novas medidas de redução de impostos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou passar ontem a mensagem de que o governo não vai abrir mão da responsabilidade com as contas públicas. "Não podemos descuidar, em hipótese alguma, da política fiscal", destacou o presidente no discurso de encerramento da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). "Não é porque tem eleição que vamos gastar", afirmou.

Lula também defendeu a importância de se manter a inflação sob controle e afirmou que não tem dúvidas de que o Brasil vai ser a quinta economia do mundo, "se o País não ficar rasgando dinheiro". O presidente afirmou que o País baterá este mês novo recorde de geração de empregos formais, acumulando este ano 1,3 milhão de novas vagas.

O presidente também afirmou considerar que pelo menos duas coisas que lhe aconteceram durante sua gestão valeram a pena. Uma delas foi a realização do segundo turno das eleições em 2006. Segundo ele, havia a possibilidade de vitória no primeiro turno, mas "Deus colocou o segundo turno para que as pessoas não ficassem o ano inteiro remoendo a pequena diferença de votos". A segunda questão, disse Lula, foi a crise financeira internacional, que mostrou que seu governo não tem apenas sorte. Ele lembrou que o País passou por outras três crises e "quebrou três vezes", mas agora empresta dinheiro ao FMI.

O presidente destacou que as medidas anunciadas ontem visam consolidar o crescimento e fazer com que "a sociedade toda suba os degraus junto".

"Não se pode ter um distanciamento daquele que está no andar de baixo daquele que está no andar de cima", disse. Para ele, a experiência da crise mostrou a analistas econômicos, "palpiteiros e céticos deste País" que distribuição de renda e aumento de salário dos pobres não traz inflação. "Dar um pouquinho de dinheiro para os excluídos não desmonta a economia, como alguns disseram", criticou.

Apesar do tom otimista com a economia, Lula recomendou aos integrantes do governo que contenham a euforia. "No governo, precisamos ter cuidado para que não festejemos as coisas boas. O que precisamos é refletir se podemos fazer um pouco mais do que fizemos e deixar o povo comemorar", afirmou.

Em mais uma de suas metáforas futebolísticas, Lula disse que, se fosse técnico de futebol, não deixaria que os jogadores de seu time fossem para a "gandaia" depois de uma vitória. Segundo ele, normalmente, quando isso acontece, o time perde o jogo seguinte. "Esse é o momento em que se precisa de sabedoria. Se está dando certo, temos de trabalhar mais e ver o que podemos fazer a mais."

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