'Não vou de fantasia, vou de Bethânia, de meu orixá'

Maria Bethânia, homenageada pela Mangueira

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2016 | 01h46

1.Que lembranças você tem do desfile da Mangueira de 1994, quando a homenagem foi aos Doces Bárbaros?

Caóticas! Vim num carro a 50 metros de altura. Quando fez a curva, entrou na Sapucaí e estouraram os foguetes, eu quase morri. Tenho vertigem. Pensei: “Nossa, vou acabar com a escola!” Desta vez, pedi para vir na altura de criança. Estou velha e posso exigir. Venho no último carro, do circo. Foi a minha paixão. Em Santo Amaro tinha vários. Eu imaginava a vida dos artistas, o globo, a moto, palhaços, trapezistas. Pensava: ‘É isso que eu quero ser’. E tem ‘O circo’, do Batatinha, que eu cantei e que tem uma melancolia...

2.O que mais você pediu para os responsáveis pelo desfile?

Não me deixaram ver nada. Conversei com o carnavalesco e falei que tenho algumas proibições (de fundo religioso). Não pode ter máscara, careta. Não vou de fantasia, vou de Bethânia, de meu orixá. Eu sou baiana, a Mangueira é raiz da tradição carioca. É grande demais essa emoção, evito pensar de tão grande que é. Penso que é uma homenagem ao orixá que me sustenta, e isso me dá alguma paz, um distanciamento.

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