Nas praias, reservas naturais de inspiração

Faixas de areia encantam os turistas com uma mistura particular de preservação, contraste de cores e belas paisagens - para serem vistas dentro e fora d’água

THAIS CARAMICO/ FERNANDO DE NORONHA,

15 de fevereiro de 2011 | 16h00

 

Todas as praias de Noronha estão distribuídas entre o mar de dentro e o de fora. O primeiro, com águas mais claras e calmas, fica voltado para o Atlântico Norte. Mais bravo, o mar de fora aponta para o continente africano, distante 2.700 quilômetros. E ambos são reservas naturais de inspiração. Não há uma praia sequer que seja mais ou menos. Todas as 17 são belíssimas e revelam, com suas particularidades, resquícios da erupção e um contraste absurdo de cores.

 

A Baía do Sancho é considerada por muitos a mais bonita do arquipélago, até mesmo do Brasil. A vegetação surpreende ao recobrir as falésias com diferentes tons de verde, terra, preto do vulcão. De águas calmas e cristalinas, é perfeita para o banho. Por isso, barcos costumam parar ali para um mergulho no qual a visita dos peixes é certa.

 

Os ilhéus, no entanto, recomendam que, além de conhecê-la pelo mar, você faça uma visita por terra: é algo mágico e totalmente diferente. Primeiro porque de cima, do mirante, você já se encanta. Depois, para chegar à areia, é preciso descer por uma escadinha instalada no penhasco, numa fenda bem apertada, e encarar uma sequência puxada de 175 degraus esculpidos na falésia.

 

Do lado do Sancho está a Baía dos Porcos, pequena e reservada, com águas de todos os tons de verde. Adiante, Cacimba, praia do surfe e do Morro Dois Irmãos. Curioso é que, no cartão-postal, eles são gêmeos. Mas ali, encostado neles, você faz um giro panorâmico e consegue enxergá-los de diferentes formas e tamanhos. É mais uma daquelas ótimas surpresas da ilha.

 

Do outro lado, no mar de fora, está a Praia do Leão, local de desova de tartarugas, que pode ser visitada apenas de janeiro a junho - é interessante mesmo para ser avistada ao longe. Curiosidade: ela recebeu esse nome por causa da ilhota em frente, que lembra um leão-marinho deitado.

 

Mergulho. Não há peixe envergonhado em Noronha. Portanto, são muitos os locais onde o mergulhador (ou quase isso; leia mais abaixo) pode admirar a vida marinha. Várias empresas alugam equipamento, mas você pode levar o seu e economizar, em média, R$ 20 por passeio.

 

Além do mergulho autônomo, com cilindro de oxigênio, há uma modalidade muito simpática de observar o mundo por debaixo d’água, chamada Planasub. Com máscaras, snorkel e uma prancha de acrílico, você é puxado por um barco e pode até fazer manobras se ficar em apneia. Na ilha, a técnica também é conhecida como mergulho de reboque ou Aquasub.

 

Outra muito comum é o mergulho de apneia. E o melhor lugar para fazer isso no arquipélago chama-se Atalaia - ali, somente com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É preciso fazer uma trilha, com guia, para chegar ao aquário natural em que não se fica em pé. Isso mesmo: com 70 cm de profundidade, você coloca máscara e snorkel e visita com os olhos os corais, cardumes e até filhote de tubarão bem de pertinho. Na Praia do Sueste, além de tubarão há muitas tartarugas. Elas ficam embaixo do seu corpo e acompanham o trajeto numa boa.

 

Trilhas até o mar

 

Mirante Golfinhos-Boldró

O percurso tem 5 km (nível médio). Sai do Sancho e segue para um ponto de onde é possível ver do alto o show dos golfinhos-rotadores. Custa R$ 40 por pessoa (até o mirante) ou R$ 50 (até o Boldró)

Caieira-Atalaia

Tem 4,5 km (médio). Com direito a mirantes e piscinas naturais. Por R$ 50 e só pode ser feita com maré baixa

Capim-Açu

São 8 km (difícil), numa área bem preservada. Passa pela mata que liga essa praia à Ponta da Sapata e à Praia do Leão. Por R$ 75

 

 

 

Saiba mais - Noronha

 

Como chegar: O trecho SP-Noronha-SP custa desde R$ 1.578 na Trip, R$ 1.638,80 na Gol (voegol.com.br) e R$ 1.796 na TAM, com conexão em Recife ou em Natal. Aos sábados, a TAM faz voo extra (charter), vendido pela TAM Viagens e pela Ambiental. É possível chegar de barco, mas, como a distância é grande, poucos fazem isso.

 

 

Taxa: A de conservação ambiental é obrigatória para todos os turistas que chegam à ilha e custa R$ 38,24 por dia - o valor aumenta de acordo com o tempo de permanência: para ficar 30 dias, por exemplo, você desembolsaria R$ 3.154,80. Para evitar filas, pague pela internet (noronha.pe.gov.br) e apresente o comprovante no aeroporto, ao desembarcar.

 

 

Passeios: as agências Atalaia, Águas Claras e Atlantis Divers costumam cobrar os mesmos preços pelos tours: o passeio pelas principais praias (de 4X4 ou buggy), às vezes com parada para banho e mergulho de superfície, sai por R$ 85. O mergulho autônomo, com um instrutor por pessoa, custa de R$ 250 a R$ 280 e dura três horas - o mergulho é de meia hora. O de superfície, de R$ 30 a R$ 40, e o Planasub, R$ 80. Já o tour de barco, com parada para banho, dura três horas e sai por R$ 80. O aluguel do bugue custa R$ 120 por dia.

 

 

Tamar: Palestras gratuitas sobre natureza, preservação e vida marinha são realizadas diariamente, às 20 horas.

 

Onde ficar: A reportagem visitou e recomenda: Beijupirá, Maravilha, Solar dos Ventos, Teju-açu e Zé Maria.

  

Pacotes: confira opções no blog.

 

 

O que levar

O básico

Chapéu, protetor solar e labial são fundamentais para sobreviver ao sol forte. Leve, ainda, um tênis para trilhas, mochila e máquina fotográfica

Fôlego

Você vai precisar de disposição para aguentar o calorão e fazer as indispensáveis caminhadas até as praias

Dinheiro

Melhor ir prevenido: só há uma agência do Banco Real e dois caixas eletrônicos 24 horas - um no Projeto Tamar e outro no Aeroporto, que costumam falhar. Clientes Bradesco podem fazer saques nos Correios

 

 

O que trazer

Tartaruguinhas

Garanta souvenirs e artesanatos no Projeto Tamar - além de levar fofuras para casa, você ainda contribui com as ações da entidade

Fotos, muitas fotos

Capriche em filmagens e fotos feitas debaixo d’água, seja com o fotógrafo local ou equipamento próprio

Vocabulário novo

Os locais dizem "euforonha" quando se chega à ilha e "neuronha" quando querem sair e não conseguem - por causa das poucas vagas nos concorridos (e mais baratos) voos só para ilhéus

 

 

 

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