Nasa reconhece provável perda de sonda em órbita de Marte

Depois de quase três semanas sem comunicação com a sonda Mars Global Surveyor (MGS), em órbita de Marte, a Nasa divulga nota informando que o satélite "provavelmente encerrou sua carreira". A falha da sonda ocorreu faltando poucos dias para a missão completar 10 anos - a MGS foi lançada em 7 de novembro de 1996, e a falha foi detectada em 2 de novembro de 2006.Segundo a nota da agência espacial, a nave foi a que "serviu por mais tempo" e teve "a missão mais produtiva" de todas as enviadas a Marte. De acordo com o principal responsável pela exploração de Marte na Nasa, Michael Meyer, citado na nota divulgada pela agência, a Surveyor "ultrapassou todas as expectativas". Ela estava em órbita do planeta vermelho desde setembro de 1997, e começou a mapear Marte em abril de 1999. Durante sua vida útil, enviou mais de 240.000 fotos de Marte para a Terra. Segundo a Nasa, ao que tudo indica um dos painéis que captam energia solar para a MGS se tornou incapaz de girar para acompanhar o Sol, o que pode ter deixado o satélite sem força suficiente para transmitir mensagens. Mesmo afirmando, na nota, que "não estamos abandonando a esperança", cientistas da Nasa reconhecem "a probabilidade de que as observações" da MGS "tenham acabado". Esforços para restabelecer contato continuarão.A missão primária da MGS era de um ano marciano, ou dois anos terrestres. Essa missão foi prorrogada quatro vezes. A sonda foi pioneira no uso da técnica de "aerobreaking", na qual uma nave enviada a Marte mergulha um pouco na atmosfera tênue do planeta, usando o atrito com o gás para perder velocidade. O método permite que o veículo espacial carregue menos combustível, já que reduz a necessidade do uso de foguetes para executar a desaceleração.A MGS avaliou os locais de pouso para os robôs Spirit e Opportunity, que chegaram a Marte em 2004, bem como para as futuras missões Phoenix e Mars Science Laboratory.Entre as descobertas da MGS, estão sinais de que água já correu pela superfície de Marte, no passado; traços de um campo magnético no planeta; e sinais de mudança climática, a partir de mudanças anuais nos depósitos de gelo seco nos pólos.

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