Nasce um Jerez

A aparição de um novo Jerez deveria ser saudada como a descoberta de uma estrela (estou parafraseando Jeffrey Steingarten). Houve uma época em que cheguei a temer que tais vinhos viessem a desaparecer. Quando falava em Jerez sempre encontrava nos interlocutores uma cara de paisagem, e não era paisagem da Andaluzia...O auge do meu desânimo aconteceu em Barcelona. Pedi, como sempre, como aperitivo, num restaurante estrelado, um Manzanilla. A garçonete demorou, demorou e veio com uma bandeja com bule, xícara e um pacotinho de chá de camomila (manzanilla em espanhol). Quando na própria Península Ibérica acontece um equívoco assim, dá preocupação.

Luiz Horta,

06 Outubro 2011 | 00h33

Como os vinhos da Ilha da Madeira e os Portos, os Jerezes são um gosto a ser adquirido e usam uma paleta de gostos completamente fora do usual. Têm intensa mineralidade, ocupam a boca, alguns têm traços oxidativos importantes e são encorpados. É impossível ignorá-los.

A aparição de um novo Jerez deveria ser saudada como a descoberta de uma estrela (estou parafraseando Jeffrey Steingarten). Houve uma época em que cheguei a temer que tais vinhos viessem a desaparecer. Quando falava em Jerez sempre encontrava nos interlocutores uma cara de paisagem, e não era paisagem da Andaluzia...O auge do meu desânimo aconteceu em Barcelona. Pedi, como sempre, como aperitivo, num restaurante estrelado, um Manzanilla. A garçonete demorou, demorou e veio com uma bandeja com bule, xícara e um pacotinho de chá de camomila (manzanilla em espanhol). Quando na própria Península Ibérica acontece um equívoco assim, dá preocupação.

Como os vinhos da Ilha da Madeira e os Portos, os Jerezes são um gosto a ser adquirido e usam uma paleta de gostos completamente fora do usual. Têm intensa mineralidade, ocupam a boca, alguns têm traços oxidativos importantes e são encorpados. É impossível ignorá-los.

Como acontece com frequência. Cada vez mais sua versatilidade para a comida é valorizada - combinam com os queijos mais problemáticos, com aspargos, com pratos de ovos, tudo aquilo que é o terror para o vinho - e vêm entrando nas cartas dos grandes restaurantes. Houve um renascimento decisivo do gosto pelos Jerezes. Por meu amor incondicional por eles, dedico esta coluna a uma nova importadora, a Vinissimo (tel. 4195-5554), que tem o atrevimento de trazer os quatro vinhos da Bodegas Tradición.

A Tradición, fundada em 1998, trabalha com vinhos esquecidos de outras vinícolas. Os donos são de velhas famílias jerezanas. Não são vinhos baratos, são a elite da bebida, todos envelhecidos por décadas e com a classificação de VOS (Vinum Optimum Signatum), para um mínimo de 20 anos, e VORS ( Vinum Optimum Rare Signatum), mínimo de 30. As garrafas são numeradas, pela raridade e pequena quantidade.

Sempre é bom lembrar que os Jerezes não morrem quando abertos. Alguns aguentam longamente guardados na geladeira, após desarrolhados.

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