Reuters/U.S. Library of Congress
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Naufrágio no Haiti pode ser caravela de Colombo, dizem exploradores

Embarcação afundou na histórica viagem de Descoberta da América

Edison Veiga,

13 de maio de 2014 | 16h49

MIAMI - Referência mundial em arqueologia submarina, o explorador americano Barry Clifford revelou ter encontrado o que seriam restos da caravela Santa Maria, uma das três embarcações utilizadas pelo navegador genovês Cristóvão Colombo (1451-1506) na expedição que entraria para a História pela Descoberta da América.

A carcaça da nau foi encontrada no Mar do Caribe, próximo do Haiti. O jornal britânico The Independent divulgou os resultados da recente expedição de Clifford nesta terça-feira, 13, em sua página na internet. "Todas as evidências geográficas e de topografia subaquática sugerem fortemente que se trata da embarcação de Colombo", afirmou o explorador à publicação.

Presos a um recife a mais de 10 metros de profundidade na costa norte do Haiti, os vestígios da embarcação foram encontrados pela equipe de Clifford em 2003, quando eles fotografaram o material. Depois disso, eles vêm estudando as imagens e realizando novos mergulhos no local.

As expedições foram patrocinadas pelo canal de TV americano History Channel - e a descoberta deve render um documentário.

Indícios. Um canhão com características típicas dos fabricados naquela época, encontrado junto com os restos da caravela, é o mais forte indício que levou Clifford a concluir estar diante dos destroços da histórica embarcação de mais de 500 anos atrás.

A localização é outro fator: o lugar onde os destroços foram encontrados corresponde ao apontado por Colombo em seu diário de viagem. Com 36 metros de comprimento, Santa Maria foi uma das três naus que saíram da Europa em 1492 e chegaram ao Caribe - patrocinadas pela monarquia espanhola, que tinha interesse em descobrir uma nova rota para o comércio com o antigo Oriente. Em dezembro daquele ano, porém, ela naufragou acidentalmente. Apenas Nina e Pinta, as outras duas embarcações, voltaram ao continente europeu, no ano seguinte.

  

De acordo com os mergulhadores, os restos da embarcação estão em grau bastante avançado de decomposição. Por enquanto, eles apenas fizeram imagens do material. Clifford agora pretende negociar com o governo haitiano a fim de obter autorização para coletar amostras dos destroços, que seriam encaminhadas para análises mais detalhadas.

Currículo. O mergulhador, arqueólogo subaquático e explorador Barry Clifford ficou famoso mundialmente em 1984, quando, após 15 anos de buscas, encontrou o navio pirata Whydah, naufragado em 1717, na costa nordeste da América do Norte.

A descoberta deu origem ao The Whydah Pirate Museum, instituição com sede em Provincetown, Massachusetts, nos Estados Unidos. A embarcação Whydah, construída em Londres para ser utilizada como navio negreiro, é considerada a primeira nau pirata encontrada que pôde ser comprovado como tal.

Clifford nasceu em 1945, em Cape Cod, também no Estado de Massachusetts. Graduou-se em História e Sociologia no Western State College, do Colorado. Antes de se dedicar ao mergulho, foi professor e treinador de futebol americano. Nos anos 1970, abriu uma empresa de exploração subaquática e caça a tesouros em naufrágios. / COM REUTERS

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