Navio com 6 mil toneladas de gasolina encalha no Solimões

Um navio-tanque de bandeira panamenha, carregado com 6 mil toneladas de gasolina, está encalhado há mais de cinco dias em um banco de areia do Rio Solimões. O Ana B, de propriedade da empresa espanhola Boluda, estava a serviço da Petroperu e levava o combustível da costa peruana, no Pacífico, via canal do Panamá e Rio Amazonas, para abastecer a cidade de Iquitos, localizada na região amazônica do Peru. O encalhe aconteceu nas proximidades da ilha de Girimanduba, distante cerca de 1.060 km de Manaus e 790 km de Tabatinga, entre os municípios de Jutaí e Fonte Boa. Segundo a assessoria de comunicação do Comando do 9º Distrito Naval, não há riscos de vazamento e a situação está estável, o que possibilita mais calma no planejamento das ações. A distância é o maior obstáculo enfrentado pela equipe da Marinha. "Nas proximidades não existem meios com potência e requisitos técnicos satisfatórios para garantir o sucesso e a segurança do desencalhe. Tais meios só são encontrados em Manaus, Tabatinga e Itacoatiara", explica o vice-almirante Gerson Ravanelli, coordenador das operações no Solimões. Com exceção das barreiras de contenção contra os riscos de poluição, que já foram instaladas em volta do navio, os rebocadores e barcaças só deverão chegar ao local em cerca de cinco dias, navegando contra a forte correnteza do período de vazante. As causas do encalhe serão objeto de inquérito administrativo instaurado pela Marinha, e serão julgadas pelo Tribunal Marítimo. Nesta quinta-feira, a primeira proposta do Plano de Desencalhe será apresentada ao vice-almirante. Se aprovada, as operações terão início imediato. Mas ele assegura que o melhor é estudar todas as possibilidades para evitar um acidente ambiental: "Não temos pressa porque, como está, não apresenta riscos. Quem perde é a empresa, que deixa de ganhar dinheiro", explica. Navegar nos rios amazônicos é uma façanha que exige experiência. O engenheiro naval Aluísio Gomes da Fonseca lembra que a falta de conhecimento das labirínticas hidrovias levam muitas embarcações ao encalhe. Quem não está acostumado, contrata `piloteiros´ para atravessar o Rio. "Eles conhecem cada curva. Onde seca, onde alaga", Fonoseca. Ao que parece, esse não foi o caso do Navio-Tanque Ana B. A tripulação fazia o mesmo percurso a cada 45 dias.

Agencia Estado,

12 de julho de 2006 | 18h40

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