Navio Costa Concordia levará meses para ser removido

Os destroços do navio Costa Concórdia podem ficar onde estão, perto da ilha Toscana de Giglio até o fim do ano, até que possa ser desmontado ou resgatado, disse a autoridade responsável pela operação de resgate, no domingo.

EMILIO PARODI, REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 13h18

Mergulhadores que estão procurando corpos no interior do navio, que está semi submerso a apenas alguns metros da costa, suspenderam o trabalho no domingo, depois que o mar agitado e fortes ventos fizeram com que o navio mudasse de posição, visivelmente, disseram as autoridades italianas.

O mau tempo já havia atrasado os planos do início da remoção das 2.300 toneladas de óleo diesel dos tanques do navio, uma operação que deve durar entre três semanas e um mês, depois que, finalmente, começar, provavelmente no meio da semana que vem.

Franco Gabrielli, chefe da Agencia de Proteção Civil, a autoridade encarregada da operação, disse que pode levar entre sete e dez meses até que o imenso navio seja finalmente retirado de onde está.

"Já sabíamos que esse seria um trabalho muito demorado, mas acho que é importante que todos saibam que ele levará um tempo significativo para ser terminado", disse ele aos repórteres.

O trabalho de resgate ou remoção de um navio não pode começar até que o combustível e óleo lubrificante sejam removidos e o risco de um desastre ambiental tenha sido evitado. Muito trabalho preliminar terá que ser feito, antes que se chegue a uma decisão sobre como proceder para a remoção da embarcação.

Mergulhadores encontraram a 17a vítima no sábado, o corpo de uma mulher, identificada como membro da tripulação, diminuindo a lista de desaparecidos para 15 pessoas, depois do naufrágio de 13 de janeiro.

A busca foi interrompida no domingo, depois que instrumentos de medição colocados a bordo do navio de 290 metros de cumprimento, mostraram um movimento de 3,5 centímetros em seis horas, em comparação ao movimento normal, de um ou dois milímetros.

As autoridades disseram que ele está estável e que há pouco risco imediato de deslizar do lugar onde está posicionado, a cerca de 20 metros de profundidade, para águas mais profundas.

Mas até mesmo os menores movimentos representam um risco para os mergulhadores que estão explorando o interior escuro do navio, que está cheio de destroços flutuantes, incluindo móveis, colchões, roupas de cama, cortinas e objetos pessoais dos passageiros e tripulantes.

MUITO TRANSTORNADO

O desastre aconteceu quando o Concórdia, de 14.500 toneladas bateu em uma rocha que cortou seu casco e fez com que ele afundasse, depois de navegar até cerca de 150 metros da costa, para realizar uma manobra conhecida como uma "saudação". O capitão, Francesco Schettino, está sendo acusado de homicídio múltiplo e de ter abandonado o navio antes da total evacuação dos mais de 4.200 passageiros e da tripulação.

"O capitão está bem e está refletindo sobre o que aconteceu e está profundamente transtornado", disse seu advogado, Bruno Leporatti, depois de se reunir com seu cliente, que está em prisão domiciliar, perto de Nápoles.

Espera-se que haja uma longa batalha judicial, depois que advogados dos Estados Unidos e da Itália iniciaram uma ação coletiva e ações individuais contra a empresa, proprietária do navio - a Costa Cruises, uma unidade da Carnival Corp, a maior operadora de cruzeiros do mundo.

Schettino disse que aceita a sua parcela de responsabilidade pelo acidente, mas diz que ele estava em contato constante com a Costa Cruises durante a operação de evacuação, que tem sido amplamente criticada como lenta e desordenada.

"O que dói mais é que teria dado tempo de salvar todo mundo, se a ordem de evacuar o navio tivesse sido dada mais rapidamente e não uma hora e meia depois do impacto", disse Maria Cristina Meduri, uma passageira que se salvou do naufrágio.

Ela voltou com o marido para Giglio no domingo, para agradecer aos moradores da ilha, que ajudaram fornecendo abrigo e roupas quentes aos que conseguiram se salvar, mas criticou muito a Costa, que está oferecendo 11 mil euros de indenização e vai reembolsar as passagens e quaisquer outras despesas de viagem, em troca de um acordo para que abram mão de qualquer ação legal.

"Não, não vamos aceitar isso, isso não é nada", disse ela. Deixei objetos de valor sentimental inestimável no navio, como por exemplo, o anel da noivado de brilhantes, que ganhei do meu marido. Não vamos aceitar isso."

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