Nayara fica de fora da invasão do Gate na reconstituição

Durante os trabalhos, ela manteve a versão de que não houve tiro antes da invasão no apartamento

Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde,

20 Novembro 2008 | 08h19

Nayara, de 15 anos, não participou ontem da terceira e última parte da reconstituição do seqüestro e morte de Eloá Pimentel. Nessa etapa foi reproduzido o momento em que policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) invadiram o apartamento em Santo André, no ABC paulista, onde elas foram mantidas reféns durante 100 horas por Lindemberg Alves, de 22 anos. Nayara manteve a versão dada em seu depoimento e disse que não ouviu nenhum disparo antes de os policiais entrarem. Afirmou ter ouvido somente dois disparos, o que a acertou na face e o que matou sua amiga.   Veja também: Peritos vão reconstituir invasão Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá          Segundo Marcelo Oliveira, advogado de Nayara, como na última fase só foi realizada a ação policial, não era preciso que a estudante ficasse no apartamento. Segundo ele, Nayara ficou apreensiva ao entrar na CDHU. "Mas ao longo dos trabalhos a psicóloga conversou com a Nayara e ela relaxou."   A reconstituição começou às 11 horas e terminou às 15h30. Além da jovem, acompanhada da mãe, de dois advogados, de uma psicóloga e de uma conselheira tutelar, participaram Douglas - irmão de Eloá -, Iago e Victor - feitos reféns pelo ex-namorado de Eloá e soltos no primeiro dia -, os cinco policiais do Gate que participaram da invasão, o delegado que preside o inquérito, Sérgio Luditza, titular do 6º DP de Santo André, e o promotor Antonio Nobre Folgado. A mãe de Eloá acompanhou de perto. Alves não participou, mas foi representado por seus advogados.   A primeira parte da reconstituição refez o momento em que Alves entrou no apartamento, em 13 de outubro, e a saída de Nayara, na tarde do dia 14. A segunda parte remontou o instante em que Nayara retornou ao cativeiro, dois dias depois de ter sido libertada. Os reféns e Alves foram representados por policiais. A simulação foi coordenada por oito policiais da Polícia Científica: dois desenhistas, quatro peritos, um legista e um fotógrafo.   Ana Lúcia Assad, advogada de Alves, disse que a decisão de ele não participar faz parte da estratégia da defesa. "Ele será ouvido em juízo. Vamos esperar o laudo da reconstituição, que foi feita sem a versão dele. Se for o caso, podemos pedir nova reconstituição." Alves está preso em Tremembé e é acusado de 12 crimes divididos em três artigos do Código Penal: homicídio, cárcere privado e disparo de arma de fogo.   O advogado da família de Eloá, Ademar Gomes, também esteve em Santo André, mas foi embora no início da reconstituição. Ele afirmou que o pai da adolescente, Everaldo Pereira dos Santos, não vai se entregar à polícia. Ex-cabo da PM de Alagoas, ele é procurado sob acusação de ter participado de um grupo de extermínio. "Ele corre risco e não quer ser morto em uma cadeia", disse o advogado. Segundo ele, outro motivo para Everaldo seguir foragido é o fato de a defesa ter tido acesso somente a um processo que o envolve. "Os outros estão sendo instaurados agora."

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