Negociações para o Senado têm tudo para dar errado

Pelo tom das declarações dos ministros e dos parlamentares, as negociações em curso para votar o Código Florestal no Senado têm tudo para dar... errado. A presidente Dilma Rousseff e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, estão praticando um contorcionismo verbal que vai ter um custo político.

Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2011 | 00h00

Ninguém diz, da parte do governo, quais os reais limites das negociações e por que uma profusão de pequenos e médios agricultores que desmataram são ambientalmente menos perigosos que os grandes agricultores. A única certeza até agora é de que o governo está usando o discurso empanado contra "uma volta atrás da roda na História" para fazer de conta que a bancada ruralista não é sua. A meta é investir no discurso politicamente correto para ficar bem com os muitos convidados que vão aterrissar na Rio+20.

Por que negociar? Porque as reivindicações de ambientalistas e ruralistas são todas legítimas. Além do mais, quando Dilma fez a campanha presidencial, a então candidata foi para as ruas com um palanque de dez partidos. Depois de eleita, aceitou de bom grado que esse supermercado partidário subisse para os atuais 15 partidos da base aliada, o que, naturalmente, ampliou a prateleira de sonhos fisiológicos.

Diante desse quadro, é estranho que a presidente diga, num dia, que não negocia desmate algum e, no dia seguinte, admita que algum tipo de anistia vai ser concedida. A ministra Izabella falou ontem em "imperfeições" a ajustar. Quais? É melhor dizer quais são os limites e o que é possível fazer para o Brasil ter o melhor Código Florestal possível.

É JORNALISTA DE O ESTADO DE S. PAULO

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