'Nem eficácia nem segurança são garantidas'

Por ter origem biológica, a toxina botulínica tem um processo complexo de fabricação e as características do produto final variam muito entre os diferentes fabricantes. Segundo a médica Maria Matilde de Mello Spósito, responsável pelo Grupo de Bloqueios Químicos do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fatores como o tipo de cepa da bactéria utilizada na produção influenciam diretamente na eficácia e segurança do produto.

MARIANA LENHARO, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2012 | 03h01

"Portanto, um produto de origem clandestina não tem nem eficácia nem segurança garantidos. Além disso, o produto necessita de refrigeração no armazenamento. Se não tiver um rígido controle, uma logística de transporte, será inapropriado para uso", diz a médica, que é especialista no uso da toxina botulínica para fins terapêuticos.

Além do efeito não ser o esperado, há também o risco de contaminação, já que o produto tem origem bacteriana. Em condições inadequadas, os estabilizadores que compõem a medicação são agentes transmissores de doenças, diz Maria Matilde. A albumina humana contaminada, por exemplo, pode ser um agente de transmissão de doenças virais, como hepatite ou aids. Já a gelatina bovina pode transmitir a doença da vaca louca.

O médico Ewaldo Bolívar, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, alerta que preços baixos de procedimentos estéticos com botox devem levantar suspeitas. "Ninguém faz milagre: é um produto caro. O importante é pesquisar o profissional. Quando não se sabe o que foi injetado no paciente, é mais complicado medicar se houver problemas."

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