Nenê de Vila Matilde conta a história de Moçambique por meio da lendária Baobá

Uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde fecha o primeiro dia de desfiles no Sambódromo do Anhembi. Com o enredo "Moçambique - A Lendária Terra do Baobá Sagrado", a agremiação fala sobre a nação africana por meio da lenda do baobá, árvore milenar que é símbolo do país.

MARCIA CRISTINA DA SILVA, Estadão Conteúdo

14 Fevereiro 2015 | 06h09

Em Moçambique, o baobá é reverenciado. As pessoas jogam moedas e fazem oferendas ao pé da planta. O enredo vai mostrar ainda a chegada do baobá ao Brasil, pelas mãos dos escravos na época da colonização. Recife, capital de Pernambuco, recebeu a maior quantidade de mudas no País.

A agremiação, que já conquistou 11 títulos no carnaval paulistano, conta com 3 mil integrantes, divididos em 24 alas e cinco carros alegóricos. Entre as alegorias, a Nenê aposta nas esculturas como ponto forte de seu desfile. No abre-alas, a águia símbolo da agremiação vai para a passarela do samba toda articulada. Os 190 ritmistas comandados pelo mestre Markão terão como rainha Ariellen Domiciano. Outros destaques da escola são a apresentadora Livia Andrade e a ex-BBB Clara.

Confira o samba-enredo da Nenê de Vila Matilde:

Bate o tambor do meu samba

Surdo, tarol e repique

A vila hoje canta moçambique

Vem bateria de bamba

Quem esperou pra me ver

Chegou Nenê

Amanheceu, resplandeceu, outra vez clareou

Eu sou raiz do povo banto

Presente que o tempo ofertou

Sabedoria, legado dos meus ancestrais

Trago um "eldorado" de riquezas naturais

História singular, guerreira ao despertar

Sagrado meu nome é baobá

O mar virou mareia

Ao longe ouço o cantar, sereia

Eu vi chegar o invasor

Dragões e filhos de alah

Demônios de além mar

Testemunhas de batalhas, resistência

Eu não me curvo jamais

Liberdade, veio a independência

Um forte laço se faz

Hoje a savana renasce

E a vida floresce nos braços da paz

Pérola do índico

Terra de encantos e magia

Surge o "leão da tecnologia"

Vejo um futuro promissor

Espírito ancestral, eu vim pro carnaval

Trazendo o sorriso dessa gente

Minha águia espalha essa semente

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