Nesta cerimônia, o mundo não entra

Paula Moura,

29 de abril de 2010 | 09h59

Ritual. Passos seculares aprendidos à exaustão: está em marcha a cerimônia do chá

 

Receber um convite para a cerimônia do chá é como ser chamado para deixar o mundo exterior para trás, à medida que você abre o portão e pisa na primeira pedra do jardim japonês que aguarda os visitantes na entrada.

 

O tatame da sala lembra o contato com a natureza, assim como o arranjo floral e a pintura pendurada num canto da sala, únicas companhias para a chaleira, que solta sua fumaça poética e vagarosamente, em uma outra marcação de tempo.

 

O anfitrião saúda os convidados e entra com os utensílios. Pode se sentar da maneira japonesa, "seiza", ou em bancos ocidentais. Enquanto o convidado saboreia o doce tradicional japonês, o anfitrião segue os movimentos exaustivamente aprendidos. Purifica com um lenço o pote guardião do macha (natsume), a colher de bambu para pegar o chá (chashaku) e o chasen (usado para misturar o pó na água).

 

Ele limpa a tigela do chá (chawan), usando água quente e um pano dobrado ritualmente. Um montinho de chá é colocado da maneira mais natural possível dentro da tigela. Depois de derramar água quente em cima, mistura-se tudo com o chasen, com movimentos também aprendidos com muito treino.

 

O anfitrião oferece a tigela ao convidado, que agradece com uma reverência. Embora não tome o chá, o anfitrião deve compartilhar o sentimento de pureza e gratidão com o convidado.

 

Há técnicas de cerimônias do chá muito mais complexas e dedicadas a ocasiões especiais, incluindo até mesmo refeições. A chegada das estações do ano, por exemplo, costumam ser comemoradas, assim como o ano-novo.

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