Neste ano, chuvas deixaram SP intransitável por mais de 1 mês

Até anteontem foram 34 dias em que pontos de alagamento complicaram tráfego na cidade

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

De dez em dez dias, o paulistano enfrenta o trânsito com ao menos um ponto de alagamento intransitável. Entre o dia 1º de janeiro e anteontem, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), ligado à Prefeitura, contabilizou 34 dias afetados por enchentes nas vias, que travaram o tráfego. Durante o ano passado, foram 15 dias nessa situação, o que indica aumento de 26,6% dos casos.

O levantamento foi feito pelo Estado, com base nos registros no site do CGE. O mapeamento mostra que algumas ruas e avenidas são recorrentes na classificação de "alagadas". O destaque vai para o cruzamento entre a Avenida Aricanduva e a Rua Tumucumaque, na zona leste da capital. Este trecho foi reincidente seis vezes nos dados de alagamentos que não permitiam a passagem de um só automóvel ou caminhão. Anteontem, neste grupo foram inseridos 15 pontos. O cruzamento da Praça Marrey Júnior com a Rua Turiaçu, na zona oeste paulistana, também reincidiu quatro vezes em dias de tempestade, atrapalhando o tráfego na região.

A principal explicação para o aumento de alagamentos intransitáveis na cidade é meteorológica. Choveu até mesmo em períodos historicamente caracterizados como secos. Foi o inverno mais chuvoso de todos os tempos, segundo as medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o reflexo disso também apareceu no tráfego. No ano passado, somente seis meses (janeiro, fevereiro, março, abril, novembro e dezembro) tiveram registros de pontos em que era impossível transitar. Já neste ano, mostra o levantamento, foram nove meses com notificações (com exceção de abril, junho e julho).

"Não apenas a chuva atípica para os meses mais frios contribuiu para o aumento de alagamentos, como também a forma das tempestades", avalia o meteorologista do CGE, Michael Pantera. "Por causa do fenômeno El Niño, a temperatura está mais quente, o que favorece a chuva em forma de pancadas, sempre no fim de tarde."

Apesar da justificativa climática, razões urbanísticas também explicam o aumento de inundações. O solo impermeável - agravado pelo desequilíbrio entre asfalto e áreas verdes - contribuiu para o cenário das enchentes. Dados do Movimento Nossa São Paulo mostram que a distribuição de vegetação é totalmente desigual na capital paulista. Enquanto em São Miguel, na zona leste, há 1,7 m² de área verde para cada habitante, em Capela do Socorro, zona sul, o índice sobe para 162 m²/pessoa. Outro aspecto é a falta de investimentos em limpeza de bueiros e obras de drenagem. Neste ano, por exemplo, o Rio Tietê voltou a transbordar após quatro anos.

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