Net vê serviço de TV da Embratel como complementar

'Sobre essa concorrência, acho que vem ajudar a Net', afirmou presidente da maior TV paga do País

Renata de Freitas, da Reuters,

22 de abril de 2008 | 17h26

Confiante na estratégia que tem garantido crescimento frente a uma competição mais acirrada, a Net Serviços avalia que a proposta da Embratel de se lançar na TV por satélite será complementar. A Embratel, controlada pelo grupo mexicano Telmex, detém fatia minoritária na Net. "Sobre essa concorrência, acho que vem ajudar a Net. Não vai haver interesse de competir em cima do mercado onde a Net atua, será complementar, em nosso entendimento", afirmou o presidente da maior operadora de TV paga do País, José Antonio Felix. A Embratel levou recentemente ao órgão regulador (Anatel) um pedido de licença para operar TV via satélite. O pedido, entretanto, ainda não foi analisado pela agência. "A tendência que vejo é que não mude muita coisa. Ao contrário, que tire o foco das operadoras de DTH da Net porque terão outro concorrente para brigar", comentou o executivo em teleconferência com analistas, nesta terça-feira, sobre o resultados do primeiro trimestre. Com receita líquida 27% maior entre janeiro e março frente ao mesmo período de 2007, somando R$ 830 milhões, e crescimento de 15% na base de clientes de TV por assinatura na comparação anual, para 2,56 milhões, a Net informou ter registrado o melhor primeiro trimestre da história da empresa. "Nunca crescemos tanto e de maneira tão sustentável", afirmou Felix. "Os números mostram a capacidade da Net de atuar em um mercado competitivo, mas tão importante quanto a estratégia é a capacidade de executar bem essa estratégia", disse. Para a analista Vera Rossi, do Morgan Stanley, a Net está "bem posicionada para as mudanças no ambiente competitivo no Brasil", o que levou a corretora a reiterar a recomendação de "acima da média do mercado" para investimento. Mais importante que os números positivos divulgados na sexta-feira, Rossi identifica a estratégia da Net de "continuar a aumentar a penetração de serviços sobre a sua base de clientes". O Morgan Stanley projeta preço-alvo de US$ 18 por recibo de ação da Net no mercado norte-americano, que nesta terça estava sendo negociado a US$ 12.  Como fica o ano  Embora a Net prefira não divulgar diretrizes de resultados (guidance), o diretor Financeiro e de Relações com investidores, João Elek, informou que a expectativa é de crescimento da base de assinantes, em termos absolutos, não inferior ao de 2007. No ano passado, a Net conquistou mais de 300 mil assinantes de TV paga e mais de 500 mil em banda larga. Nos serviços de vídeo digital e telefonia, as adesões líquidas ficaram em torno de 400 mil. A maior parte dos investimentos do ano passado e os previstos para este ano - ao redor de R$ 770 milhões - será destinada à "aquisição" de clientes. No primeiro trimestre, os investimentos somaram R$ 172 milhões, sendo que 77% foram destinados à instalação de novos assinantes. Apesar de custos operacionais 33% maiores, incluindo despesas com mão-de-obra necessária para sustentar metas de qualidade de atendimento e manutenção de clientes, a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) aumentou 20% no primeiro trimestre em relação a 2007, para R$ 225 milhões. A margem operacional ficou em 27%, "dentro do patamar considerado adequado para o crescimento da companhia", segundo Elek. Para o ano, a estimativa é de que fique entre 26% e 28%.

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