Netanyahu ganha apoio do Partido Trabalhista em coalizão israelense

Benjamin Netanyahu, designado primeiro-ministro de Israel, obteve na terça-feira o aval do dirigente trabalhista Ehud Barak para uma parceria política que ajude o futuro governo do país a evitar atritos com os Estados Unidos a respeito do processo de paz do Oriente Médio.

JEFFREY HELLER, REUTERS

24 de março de 2009 | 17h40

Pelo acordo com Barak, um gabinete sob o comando do partido direitista Likud, de Netanyahu, respeitaria todos os acordos internacionais firmados por Israel, segundo um negociador do Partido Trabalhista. Tal fórmula inclui tratados que preveem o surgimento de um Estado palestino.

Barak, arquiteto da recente ofensiva israelense em Gaza, deve seguir como ministro da Defesa. O Comitê Central do Partido Trabalhista aprovou a coalizão após um grande debate.

Cerca de 57 por cento dos quase 1.200 delegados do partido apoiaram o pedido de Barak para uma participação no gabinete de Netanyahu, disse Eitan Cabel, importante autoridade do partido, durante assembleia do geralmente dividido partido.

"O Comitê Central decidiu, e o fez claramente", disse Cabel. "Faremos tudo o que for possível para seguirmos unidos".

"Não tenho medo de Bibi Netanyahu", disse Barak, usando o apelido do futuro premiê, na assembleia, em voz embargada durante debate anterior.

Barak desmentiu rumores de que o Trabalhista teria pouca influência sobre as políticas do novo governo. "Seremos um contrapeso que garantirá que não teremos um governo estritamente direitista".

Tendo o Trabalhista (centro-esquerda) ao seu lado, Netanyahu governará com 66 dos 120 parlamentares, margem que ainda pode ser aumentada até o dia 3, quando vence o prazo para que ele forme o governo.

O Partido Trabalhista apoia o processo de paz dos EUA na região, que prevê a criação de um Estado palestino ao lado de Israel, enquanto Netanyahu rejeita tal solução, preferindo dar ênfase ao desenvolvimento econômico dos territórios palestinos -- estratégia que os palestinos contestam.

Tal posição poderia colocar o futuro premiê em rota de colisão com o governo dos EUA, cujo presidente, Barack Obama, prometeu fazer da paz no Oriente Médio uma prioridade diplomática de seu mandato.

O pacto entre o Likud e o Trabalhista parece sugerir uma mudança na visão de Israel sobre o processo de paz na região. Sob o acordo de coalizão, "Israel está comprometido com todos os acordos internacionais e diplomáticos que os governos israelenses assinaram ao longo dos anos".

Israel se comprometeu formalmente em 2007, na conferência de Annapolis (EUA), a negociar um tratado que promova "a meta de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado em paz e segurança".

Na segunda-feira, Netanyahu havia selado um acordo para governar em conjunto com o partido judaico ortodoxo Shas. Antes, havia angariado o apoio do partido Yisrael Beitenu, do ultranacionalista Avigdor Lieberman.

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