Nigeriano casado com 86 mulheres é libertado sob fiança

Masaba, preso por insultar credoe por casamento ilegal, poderá ser visitado por quatro de suas mulheres

Efe

21 de outubro de 2008 | 18h02

Um tribunal islâmico nigeriano libertou nesta terça-feira, 21, sob fiança, Alhaji Bello Abubakar Masaba, um clérigo muçulmano de 84 anos que tinha sido preso por ter se casado com 86 mulheres, mas o Estado teve que protegê-lo por causa de uma "fatwa" que o condenava à morte.   Veja também:   Nigeriano aceita se divorciar de 82 de suas 86 esposas   Nigeriano pode ser condenado à morte por ter 86 mulheres   Nigeriano que tem 86 mulheres diz: 'não sigam meu exemplo'   Homens polígamos vivem mais que monógamos, diz estudo   O juiz Ahmed Bima, do tribunal da Sharia (lei islâmica) da cidade de Minna, capital do estado do Níger, no centro, ordenou a libertação de Masaba após o pagamento de 2 milhões de nairas (US$ 17 mil) e solicitou que o Governo estadual lhe forneça alojamento e proteção.   Masaba, detido em 15 de setembro e processado por insultar um credo religioso e por casamento ilegal, poderá ser visitado em seu novo domicílio por quatro de suas mulheres, número máximo de esposas que o Corão permite aos muçulmanos, disse o magistrado.   Pouco depois de Masaba ser detido, a maioria de suas mulheres e boa parte de seus 100 filhos fizeram um protesto em frente ao Departamento de Justiça em Minna para pedir sua libertação.   "Não nos condenem à prostituição" e "Estamos sofrendo", gritavam as mulheres de Masaba, que afirmavam estar legalmente casadas com ele.   Segundo a lei islâmica, a acusação contra Masaba poderia resultar em sua condenação à morte por apedrejamento, pena já sentenciada contra ele pelo grupo fundamentalista islâmico Janatu Nasril Islam, que não tem autoridade legal para fazê-lo.   A introdução da Sharia em 1999 no norte da Nigéria, onde os muçulmanos são maioria, gerou uma série de conflitos violentos entre esses e os cristãos da região, causando a morte de milhares de pessoas e obrigando o Governo a declarar estado de emergência e enviar tropas ao local.   A autorização aos estados nigerianos para adotar a Sharia se os cidadãos assim desejassem foi vista como um gesto para a comunidade muçulmana, que podia reagir com raiva se as decisões de suas cortes religiosas fossem suprimidas pelos tribunais laicos.   Embora dez pessoas tenham sido condenadas à morte pela Sharia desde sua introdução na Nigéria, ninguém foi executado até agora. No entanto, várias pessoas acusadas de roubo tiveram a mão cortada e muitas outras foram punidas com chibatadas em público por crimes menores.

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