No 1º dia, d. Odilo mantém discrição habitual

Questionado como se sentia a caminho do conclave que decidirá o sucessor de Bento XVI, cardeal disse: 'Com frio'

VATICANO, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h21

De cara fechada, sério e sem dizer "bom dia" aos jornalistas que o aguardavam, o cardeal brasileiro d. Odilo Scherer deixou ontem a residência que estava ocupando em Roma. Na manhã gelada do fim de inverno europeu, dirigiu-se ao aposento no Vaticano que ocupará durante o conclave. Com ele, apenas uma mala pequena, sua pasta e cabides com suas roupas solenes.

Se eleito nos próximos dias, a viagem de pouco menos de 20 minutos até o Vaticano terá sido a última na condição de um simples ser humano. Mas, adotando a mesma estratégia dos últimos dias, rejeitou falar enquanto seus assistentes já alertavam que nenhum dos cardeais faria declarações aos jornalistas.

Na saída, questionado pelo Estado sobre como se sentia, apenas respondeu: "Com frio". A reportagem então perguntou se não seria frio "na barriga", o que arrancou um tímido sorriso do cardeal. D. Odilo seguiu no mesmo carro com os cardeais brasileiros Raymundo Damasceno e Geraldo Majella Agnello. Os três estavam hospedados no Colégio Pio Brasileiro, em Roma.

Outros cardeais chegaram ao Vaticano caminhando. Um deles foi de bicicleta.

Infraestrutura. Dentro do Vaticano, os cardeais depararam-se ontem com quartos austeros na Casa Santa Marta. Apenas uma cama de solteiro, um armário e uma mesa. Internet e sinais de celulares foram cortados. Um dos aposentos será mantido vazio, esperando o novo papa para sua primeira noite.

Se a marca do local é a austeridade, a situação é bem mais confortável hoje do que há meio século. Cardeais chegaram a ser colocados em corredores, com camas separadas apenas por uma cortina, como em um hospital.

Dois médicos e várias enfermeiras estão à disposição dos 115 cardeais, muitos com mais de 70 anos e precisando de cuidados especiais. Apesar de a Casa Santa Marta ficar praticamente encostada à Capela Sistina, onde ocorre o conclave, motoristas levarão quem tem dificuldade de caminhar. Dois sacerdotes estão à disposição para escutar confissões, até mesmo daquele que horas depois poderá ser o novo papa. /J.C.

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