No 2º dia de greve, mais trens devem parar na Grande SP

Quatro linhas foram afetadas, hoje são seis; no ABC, 450 mil pessoas ficaram sem ônibus e paralisação continuará pelo menos até a tarde

Márcio Pinho, Renato Machado, Paulo Saldaña, Felipe Frazão e William Cardoso,

02 Junho 2011 | 04h44

Passageiros da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) devem enfrentar mais problemas a partir de hoje, segundo dia de greve. Mais um sindicato aderiu à paralisação do sistema de trens e agora as seis linhas da empresa serão afetadas. No total, elas transportam 2,4 milhões de pessoas por dia na capital e na Grande SP. Ontem, 400 mil foram prejudicadas, principalmente na zona leste.

O caos no transporte público também atingiu o ABC paulista. Terminais de ônibus municipais e intermunicipais das sete cidades da região ficaram vazios ontem. A paralisação continua hoje, segundo o sindicato, pelo menos até as 14h, quando haverá reunião com os patrões. A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), porém, afirmou que obteve decisão favorável no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que 80% da frota dos ônibus intermunicipais operem, sob pena de multa diária de R$ 200. Ontem, pelo menos 450 mil pessoas na região foram afetadas.

A situação pode se complicar ainda mais se os funcionários do Metrô decidirem parar amanhã. A assembleia da categoria está marcada para hoje.

Contingência. Ontem, aderiu à greve na CPTM o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias de São Paulo, que responde por 2,5 mil funcionários das Linhas 7-Rubi (Luz-Francisco Morato) e 10-Turquesa (Luz-Rio Grande da Serra). "O governo do Estado tem de começar a enxergar melhor os serviços essenciais à população", afirmou o diretor administrativo do sindicato, Maurício Alves de Matos. Segundo ele, hoje as duas linhas só funcionarão pelo plano de contingência da CPTM. Ontem, o plano ajudou a manter um funcionamento mínimo das Linhas 11-Coral, apenas até a Estação Guaianases, 8-Diamante (Júlio Prestes - Itapevi) e 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú). Um trecho da Linha 11-Coral e a toda a Linha 12-Safira ficaram parados. Essas duas últimas atendem a zona leste de São Paulo.

À noite, as Estações Jurubatuba e Grajaú, da Linha 9, foram fechadas e outras paradas intermediárias operavam parcialmente. Por precaução, a PM foi chamada na Jurubatuba para conter passageiros irritados.

Punição. Anteontem, o TRT determinou que o sistema operasse com 90% da capacidade em horários de pico e 70% fora. A multa em caso de descumprimento é de R$ 100 mil por dia. No entanto, se houver punições, isso ocorrerá apenas ao fim das negociações.

Sindicatos pedem reajuste salarial de 8,71%. Eles levam em consideração o ano de 2010, quando receberam bônus. Além disso, os ferroviários pedem aumento real de 5%. A CPTM oferece 3,07% e defende que devem ser considerados só os meses de janeiro e fevereiro de 2011. Neste ano, a data-base da categoria mudou de setembro para março. Representantes dos três sindicatos vão se reunir hoje, às 9h, com o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. "Nós chegamos a patamares até melhores que os do Metrô. Espero que eles reconheçam."

O Estado apurou que os trabalhadores estariam dispostos a aceitar os 8%. O único entrave seria a falta de um plano de equiparação salarial.

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