No auge da crise, mercado imobiliário pensa no futuro

Por maiores que sejam, as dificuldades enfrentadas pelo mercado imobiliário não foram tema exclusivo do Summit Imobiliário organizado terça-feira pelo Estado e pelo Secovi. Foram considerados mais importantes os debates sobre o futuro, nos quais não faltaram depoimentos sugestivos da capacidade dos empreendedores de enfrentar e superar as crises.

O Estado de S.Paulo

17 Abril 2016 | 03h05

Que o mercado imobiliário vive fase muito difícil não há dúvida. O crédito encolheu, há um grande estoque de imóveis à espera de compradores ameaçados por desemprego, perda de renda, inflação e juros altos e a confiança tanto de mutuários potenciais quanto de incorporadores e construtores é baixa. Por exemplo, os distratos - devoluções de imóveis adquiridos na planta pelos compradores finais - continuam crescendo e são vistos como um dos maiores fatores de risco para as empresas.

As observações de investidores e especialistas estrangeiros despertaram atenção. “Há muitos desafios econômicos e políticos no Brasil no momento, mas esse tipo de ambiente normalmente cria oportunidades”, assinalou Kenneth Caplan, diretor global do Blackstone, maior fundo imobiliário do mundo. Ou, como notou o presidente da Tishman Speyer no País, Daniel Cherman, “o Brasil não vai sair do mapa do investidor global”.

À espera do fim da crise, empresários adotam políticas de curto prazo. Alguns incorporadores liquidam estoques a preços menores, enquanto outros reduzem a área útil dos imóveis, forma de ajustar os valores à renda dos compradores. Mais que argumento de vendas, é fato que muitas pessoas querem morar sozinhas e perto de onde trabalham, mesmo em áreas exíguas.

Ao mesmo tempo, novos mercados surgem com a urbanização de áreas deterioradas em metrópoles ou com a transformação de cidades médias em grandes. Ademais, parcerias público-privadas podem ampliar o investimento em habitação popular.

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga admitiu que “pode demorar um pouco para que o mercado tenha uma aliviada”, mas a médio prazo a recuperação é provável, principalmente ante a possibilidade de nomeação de uma equipe ministerial que inspire confiança. Já o presidente do Secovi, Flávio Amary, avaliou que o momento de incertezas poderá ser logo dissipado. “Se a explicação para o quadro caótico é política, a solução tem de começar na política.”

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