No Brasil, 10% são donos de três quartos das riquezas

Os 10 por cento mais ricos dapopulação brasileira detêm mais de 75 por cento da riqueza dopaís e têm uma carga tributária proporcionalmente menor, o queagrava o quadro de desigualdade social, segundo estudodivulgado na quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa EconômicaAplicada (Ipea). O índice Gini (que mede a desigualdade) já melhorou emrelação aos indicadores das décadas de 1970 e 80, mas continuampiores do que antes da ditadura (1964-85). O estudo, intitulado "Justiça Tributária: Iniqüidade eDesafios", foi apresentado num seminário pelo economista MárcioPochmann, presidente do Ipea. De acordo com o estudo, o índice Gini no Brasil era de 0,5em 1960, e agora é de 0,56. Nesse índice, o 0 significaigualdade absoluta, e o 1 implica disparidade máxima. "Um país com um Gini acima de 0,4 é um país comdesigualdade brutal", disse Pochmann por telefone à Reuters. Embora os indicadores mostrem uma melhora na distribuiçãoda renda proveniente dos salários, a desigualdade na divisãodas riquezas permanece e tende a se agravar. Segundo o estudo, os 10 por cento mais ricos detêm 75,4 porcento da riqueza do país. "Inclusive com as mudanças no regime político e no padrãode desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamentedistribuída entre os brasileiros," disse Pochmann no estudo. A carga tributária, que subiu de 30,4 para 35,7 por centodo Produto Interno Bruto, também afeta mais os mais pobres. Os tributos representam 22,7 por cento da renda para os 10por cento mais ricos, enquanto os 10 por cento mais pobresgastam 32,8 por cento de sua renda com impostos. "Isso é absolutamente inaceitável, principalmente num paísde enorme desigualdade de renda como o Brasil", disse o estudo. Pochmann afirmou à Reuters que "a característica do sistematributário do Brasil, a décima economia do mundo, faz com quese aprofunde a desigualdade". Ele defende um sistema tributário mais progressivo, quetaxe os ricos de forma mais incisiva. "O Brasil precisa de um imposto sobre as grandes fortunas,e não o temos", disse ele, lembrando que esse mecanismo estáprevisto na Constituição de 1988, mas não foi implementado."Outra modificação possível é no âmbito do imposto de renda,com mais faixas e menos peso sobre os pobres", acrescentou. O estudo mostrou também que a participação do rendimento dotrabalho na renda nacional caiu de 56,6 por cento em 1959/60para 39,1 por cento em 2005. (Reportagem Julio Villaverde)

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