No Brasil, 23% das cidades racionam água

O racionamento de água afetou quase um quarto (23%) dos municípios brasileiros em 2008, revela o Atlas de Saneamento, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 41% dessas cidades, o racionamento foi constante. Isso ocorreu em 528 municípios, dos quais 396 (75%) estão na Região Nordeste.

FELIPE WERNECK / RIO , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h02

"A distribuição de água tem melhorado, mas o racionamento ainda é um problema sério em muitos municípios, principalmente no semiárido", diz o pesquisador do IBGE José Guilherme Mendes, lembrando que o Brasil é o país com a maior quantidade de recursos hídricos do mundo. "É um contrassenso."

Pernambuco é o Estado com o maior número de municípios (111) que informaram ter racionamento constante. "Núcleos de desertificação existem no Nordeste. O que chamou a atenção foi o número de casos na Região Norte, provavelmente provocados pelo avanço do desmatamento e problemas climáticos", avalia Mendes. Lá, 43 municípios informaram sofrer racionamento provocado pela seca.

O IBGE também mostra que se perde muita água em função de vazamentos entre a captação e a chegada ao consumidor, especialmente nas grandes cidades. Entre aquelas com mais de 100 mil habitantes, 60% apresentaram de 20% a 50% de perda. No grupo dos municípios com mais de 500 mil habitantes, sete apresentaram perda de água acima de 50% (Guarulhos, Campo Grande, Manaus, Recife, Maceió, Feira de Santana e Jaboatão dos Guararapes). Nas cidades com população inferior a 100 mil, a perda ficou em torno de 20%. "A pesquisa não levanta as causas, mas a gente entende que é a ineficiência do sistema. Há também a ocorrência de furtos", avalia a gerente da pesquisa, Daniela Santos Barreto.

O IBGE mostra que 2.274 cidades (40,8% do total) sofreram inundações em áreas urbanas nos cinco anos anteriores à pesquisa - em 698 delas, as enchentes ocorreram em áreas não usualmente inundáveis. Foram listados os 25 municípios que tiveram inundações no período e apresentavam todos os oito fatores agravantes. Doze são do Sudeste (em SP, Ibiúna e Ilhabela), cinco no Nordeste, quatro no Sul, três no Norte e um no Centro-Oeste. O volume diário de água distribuída per capita foi de 0,32 m³ em 2008, correspondente a 320 litros - um aumento de 0,12 m³ em relação a 1989.

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