No Brasil, combate ao problema é tímido

O Brasil deixou de ser um país de desnutridos para se tornar um país de gordos, dizem especialistas. Mas, diferente dos Estados Unidos, as ações para combater o problema ainda são tímidas.

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

Dados do Ministério da Saúde apontam que 43,3% das pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais brasileiras estão acima do peso e 10% são obesas. Outras pesquisas revelam que, entre as crianças, 15% têm sobrepeso e 5% são obesas. A incidência da obesidade infanto-juvenil, segundo o IBGE, cresceu 240% nos últimos 20 anos.

Para a presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Rosana Radominski, a inversão nutricional está ligada à melhora no poder aquisitivo da população - que está comendo mais e de forma errada. "Hoje, menos de 5% da população tem baixo peso. Já passou a fase do Fome Zero. O governo deveria promover a alimentação saudável para todos", defende.

A obesidade tem crescido principalmente entre os mais pobres. "Caiu entre as mulheres do Sudeste, por exemplo, que têm mais acesso à informação. Mas, em geral, aumentou muito o consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar, que são os mais baratos." O problema é agravado pelo sedentarismo crescente.

"Algumas escolas estão buscando oferecer alimentação mais saudável, mas não é uma coisa unificada. Não há uma política pública para combater a obesidade, são iniciativas ainda muito acanhadas", diz Vera Lúcia Barbosa, do Instituto Movere.

Uma das propostas era restringir a propaganda de alimentos ricos em açúcar, gorduras e sódio. Em consulta pública desde 2006, as regras foram abrandadas pela Anvisa no mês passado. Em São Paulo, está sendo finalizado um projeto de lei para proibir a venda de alimentos que contribuem para a obesidade infantil em cantinas de escolas públicas e privadas.

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