No Brasil, metade dos alunos não tem acesso a computador

Entre 65 países avaliados, apenas 10 estão em situação pior que a brasileira, indica levantamento do Pisa

Jamil Chade, CORRESPONDENTE/GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 00h00

Metade dos estudantes brasileiros está "desconectada" e o País soma uma década de atraso em relação aos países ricos no que se refere ao acesso a computadores e internet. Se não bastasse, as escolas brasileiras estão entre as piores em relação ao contato dos alunos com a informática, o que pode comprometer a formação de milhares de jovens.

 

Esse é o resultado do primeiro levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) para analisar a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia. Segundo o documento, elaborado com dados de 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as escolas brasileiras não estão equipadas e o Brasil é o último em uma lista de 38 países avaliados em relação ao número de computadores por alunos na escola.

 

"O aprendizado do uso do computadores é primordial para o futuro desses jovens. Estudos mostram que pessoas com conhecimento de informática têm 25% mais de chance de encontrar um trabalho", disse Sophie Vayssettes, pesquisadora responsável pelo levantamento, que mediu o acesso ao computador de um estudante de 15 anos em várias partes do mundo.

 

De um total de 65 países avaliados, apenas 10 estão em situação pior que a do Brasil. Alunos da Romênia, Rússia e Bulgária contam com mais acesso à tecnologia que os brasileiros. No País, em média, 53% dos estudantes de 15 anos têm computadores em casa. Há dez anos, a taxa era de 23%. Apesar do avanço, os números ainda são inferiores à média dos países ricos. Na Europa, EUA e Japão, mais de 90% dos estudantes têm computador. O acesso no Brasil é hoje equivalente ao na Europa no ano 2000.

 

O estudo aponta ainda a desigualdade do acesso à informática no Brasil. Entre os mais ricos, 86% têm computador e internet em casa - taxa equivalente a dos alunos de países ricos. Entre os mais pobres, apenas 15% têm as ferramentas em casa.

 

PARA ENTENDER

 

Prova avalia leitura de textos na internet

 

Saber ler e calcular já não basta. O Pisa avaliou pela primeira vez a leitura digital de estudantes, para examinar a capacidade de "acessar, administrar, integrar e avaliar a informação" na internet. Ou seja, analisou a capacidade dos jovens de construir novos conhecimentos a partir de textos eletrônicos.

 

Apenas 19 países participaram - o Brasil não entrou por causa do baixo número de computadores nas escolas. Os que melhor se saíram foram os alunos sul-coreanos, seguidos pelos da Nova Zelândia, Austrália, Japão, Hong Kong, Islândia e Suécia.

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