No Brasil, para fazer a vida e fugir da guerra

Kiyota Takao, 98 anos, chegou aos 16 ao País. Aqui, conheceu a mulher, Yoshio. Foi amor à primeira vista

Márcia Placa,

24 de maio de 2008 | 18h45

Eles se viram apenas uma vez antes do matrimônio. O segundo encontro ocorreu no casamento. Kiyota e Yoshio Takao são primos e estão casados há 75 anos. "Foi amor à primeira vista", conta a nora, Maria Massayoshi Takao. A boda de brilhante foi comemorada por 150 pessoas, entre parentes e amigos, na cidade de Junqueirópolis, Interior de São Paulo, onde o casal vive. "Eles são muito carinhosos um com o outro", conta ela. "Quando não estão juntos, sentem falta da companhia." Veja também:Para celebrar o Centenário da Imigração Japonesa Força e leveza em forma de poesia Uma apaixonante vontade de viver Em um lugar longínquo, a chance de ser feliz Voltar ao Japão? Nem a passeio  Especial: Álbum da imigração Especial: A viagem inaugural   Yoshio está com 93 anos e nasceu em Cafelândia, também no Interior. Kiyota vai completar 99 anos em novembro e chegou ao Brasil quanto tinha 16 anos, vindo de Fukuoka, no Japão. Mesmo com idade avançada, ele está bem fisicamente, só utiliza um andador para caminhar. "A memória falha de vez em quando com os acontecimentos mais recentes", diz Maria. O hobby de Kiyota é falar do passado. "Ele adora conversar sobre as lembranças que têm." Ele contou, por exemplo, que  a coragem para vir ao Brasil veio do sonho de ganhar dinheiro e da vontade de fugir do recrutamento para a guerra. Apesar de voltar por três vezes ao país natal, nunca teve vontade viver lá. "Ele gosta do Brasil."  Da união, nasceram 12 filhos, que lhes deram 23 netos e 16 bisnetos.A vida foi dedicada à lavoura, principalmente ao plantio de café. Chegaram a Junqueirópolis em 1954, onde montaram o Sítio Takao, no bairro Cafezinho. Foi um período difícil. Alguns filhos ajudaram na lavoura e outros seguiram rumos diferentes e foram estudar, apoiados pelos pais. "Kiyota sempre foi um homem honesto, trabalhador e soube transmitir estas qualidades aos filhos", conta a nora. "Além disso, formam um casal unido, que sempre se ajudou. Um queria fazer o melhor para o outro."  Os afazeres domésticos e a educação dos filhos ficavam a cargo de Yoshio, que ainda encontrava tempo para ajudar Kiyota na lavoura. Eles ficam muito felizes com a comemoração do centenário da Imigração. "Principalmente de serem lembrados por conta desta ocasião", diz Maria. Os netos não seguiram os passos dos avós e todos estudam  em outras cidades. "Eles ficam felizes, pois acreditam que as futuras gerações terão uma vida menos sacrificada."O casal é muito religioso e segue as tradições da Igreja Tenry Kio desde jovens. "Eles esperam chegar aos 120 anos, pois a religião diz que a vida é até esta idade."

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