No centro e na zona sul, não houve lentidão

LONGE DO CAOS

Angélica Sales, Edison Veiga, Rodrigo Brancatelli e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

09 Dezembro 2009 | 00h00

O palco vazio. As cortinas fechadas. O espetáculo de ontem do Teatro Municipal não tinha atores, cantores líricos ou maestros. Os protagonistas eram os 70 operários que, desde julho de 2008, se dedicam à reforma do espaço. Pela primeira vez, os bastidores de uma reforma do Municipal seriam mostrados ao público - no caso, 15 interessados inscritos no Departamento de Patrimônio Histórico (DPH). O que ninguém contava era que uma forte chuva atrapalhasse o passeio.

Três dos inscritos nem conseguiram chegar, apesar da tolerância de meia hora. Nesse tempo, os visitantes pontuais puseram as memórias em dia e não quiseram saber do caos no resto da cidade. A advogada Miriam Tucci Pastorino, de 62 anos, relembrou um show com o famoso cantor italiano Domenico Modugno (1928-1994) ocorrido à meia-noite. Quando? "Ah, nos anos 1960", suspirava.

Às 10 horas, a arquiteta Rafaela Bernardes, do DPH, reuniu o grupo e deu a má notícia: o tempo ruim impossibilitaria a visita aos espaços externos. Para remediar a frustração, todo o grupo foi convidado a comparecer novamente na sexta-feira pela manhã - quando está agendado outro tour -, torcendo para não chover de novo.

Do lado de fora do Municipal, nem parecia dia útil. O centro de São Paulo estava vazio, sem a multidão de pedestres e carros que costuma tomar suas ruas. A arquiteta Assunta Viola, de 43 anos, pegou um vagão de metrô mais vazio que o de costume, no caminho entre a Vila Mariana e a Sé. "Estava tranquilíssimo." Na Rua Coronel Xavier de Toledo, a calmaria do trânsito era o assunto dos taxistas. "Quem mora na Paulista e precisou vir para cá se deu bem hoje", contou o taxista Vanderlei Monteiro, de 33 anos.

TRÂNSITO

As filas de carros parados também ficaram longe de bairros da zona sul, como Brooklin, Campo Belo e Moema. O engenheiro Maurício Parga, de 29 anos, costuma levar meia hora para ir de Moema a Interlagos, onde trabalha. Ontem, chegou na metade do tempo. "Acho que todo mundo ficou preso nas Marginais e não conseguiu chegar por aqui."

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