No Ciência sem Fronteiras, mudança não garante curso

Bolsistas originariamente inscritos para Portugal não têm garantido nem o curso acadêmico nem o de idioma estrangeiro no novo destino

DAVI LIRA, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h36

Cerca de 9,7 mil candidatos brasileiros a bolsas de estudos em universidades portuguesas pelo Ciência sem Fronteiras (CsF) - aptos a mudarem de país pelas novas regras do programa - podem não ter garantido nem o curso acadêmico nem o de idioma estrangeiro no novo destino.

A possibilidade de transferência para países como Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, Irlanda, Itália, França e Alemanha tem o propósito de desconcentrar a quantidade de bolsistas nas universidades de Portugal.

O país luso é o segundo maior destino dos beneficiados pelo CsF. No dia 5, o Estado revelou que quase 70% dos bolsistas que escolheram o país foram estudar em universidades consideradas mais fracas que as principais instituições brasileiras.

Mesmo com a intenção de enviar mais estudantes para outros países, a forma inesperada com que os alunos estão sendo informados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) sobre os novos procedimentos está gerando mais questionamentos.

"Continuamos com dúvidas mesmo após recebermos os e-mails da Capes", diz Sergio Machado, de 23 anos, aluno de Engenharia Biomédica da Universidade Federal do ABC, que transferiu sua candidatura para Itália.

Uma das principais dúvidas é se está garantida não somente a vaga após a mudança, mas também o curso de idioma intensivo no exterior - já que os alunos não têm conhecimento comprovado da língua do novo país para o qual estão se candidatando.

A Capes, por meio do Ministério da Educação (MEC), informou que o estudante que optar pela mudança não terá uma vaga certa no curso de idioma lá fora. 

"Ele passará a concorrer à bolsa de línguas e à própria vaga no novo país escolhido em bolsas adicionais que ainda estão em negociação", diz o comunicado. 

A pasta informa também que os candidatos terão ainda de providenciar documentação complementar que é exigida para todos os países, como vistos e dados bancários para efetivar o novo processo seletivo.

Além disso, o MEC ainda não deixou claro se esses estudantes que conseguirem viajar e ter direito ao curso de idioma adicional de seis meses serão obrigados a ressarcir os gastos do governo, caso não consigam passar no exame de certificação na língua. Esse teste é necessário para inscrição do aluno na universidade estrangeira. Nas seleções do CsF, quem não consegue atingir as pontuações estabelecidas são obrigados a retornar ao Brasil.

1) Quantos estudantes terão a possibilidade de trocar de país?

Identificamos 9.691 candidatos que tentavam bolsa para Portugal e se enquadravam nos critérios do programa.

2) Qual foi a pontuação do Enem que os estudantes selecionados tiveram?

Na semana passada, os alunos que tinham nota acima de 700 no Enem receberam o e-mail do programa. Aqueles com nota acima de 600 receberão outro comunicado.

3) Os estudante que optar mudar de país terá uma vaga certa no curso de línguas do respectivo do respectivo país estrangeiro?

Não. O aluno que mudou sua candidatura passará a concorrer a uma bolsa de línguas e de graduação no país estrangeiro.

4) Esses estudantes terão que apresentar uma nova documentação?

Eles terão que providenciar a documentação complementar que é exigida para todos os países, como visto, dados bancários, declarações, atestado médico, etc. Tudo isso somente após a seleção.

5) Eles ocuparão as vagas remanescentes das chamadas dos respectivos países que escolher ou novas vagas serão abertas?

As vagas em negociação serão adicionais.

6) Haverá uma outra seleção para aqueles que optarem pela mudança de país?

As candidaturas serão analisadas da mesma forma que seriam para Portugal. Serão observadas a adequação do perfil do candidato, do curso, da vaga disponível, etc.

7) Quando ocorrerá a viagem para estes casos? E o início semestre letivo na universidade do exterior começará quando?

O curso de línguas é de até seis meses, vai depender de cada estudante. Deverão sair provavelmente em julho e o início do semestre letivo vai depender da conclusão do curso de línguas.

8) Quem aceitar mudar de país e no país de escolha não tiver mais vagas, haverá a realocação para outro país?

Vai depender de cada caso, do perfil do estudante.  

9) Quem permanecer em Portugal ainda tem chance de conseguir a bolsa para Portugal?

Sim. Lembrando que as mensagens ainda estão sendo enviadas, porém com prazos diferentes.

10) No sistema da UKK - entidade que intermedeia os bolsistas brasileiros junto as instituições do Reino Unido - é necessário, por exemplo, anexar a certificação de proficiência para aceitação do candidato.As universidades estrangeiras já estão cientes dessas modificações?

Todos os ajustes necessários às novas concessões serão devidamente certadas entre a coordenação do CsF e os parceiros estrangeiros e comunicado aos estudantes selecionados.

FONTE: MEC/Capes

ATUALIZADA ÀS 23h50

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