No Natal, mais consumidores vão optar por lembrancinhas

Cresce número de consumidores que querem gastar menos no Natal; endividamento é o principal motivo, mostra pesquisa do SPC Brasil

Igor Gadelha, Agência Estado

04 Novembro 2014 | 14h00

O presente de Natal deste ano talvez não passe de uma lembrancinha. O porcentual de brasileiros que pretendem gastar menos para presentear no Natal deste ano aumentou para 33%, ante 13% em 2013.

O dado é de pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgada nesta terça-feira, 4.

Os preços estão mais salgados na avaliação de 51% dos entrevistados. O principal motivo, apontado por 70% dos consumidores, é a inflação mais forte. Com isso, apesar da intenção de gastar menos, o valor médio gasto com cada presente aumentou de R$ 86 no Natal de 2013 para R$ 122 neste ano.

Dentre os consumidores que dizem que vão gastar menos no Natal deste ano, a principal razão é o endividamento (35%), seguido por estar desempregado (18%), para economizar (17%), porque o presente está mais barato do que no ano passado (10%) e possui outras prioridades (8%). Outras justificativas apresentadas são: não conseguiu economizar (3%), situação financeira ruim (2%) e incertezas por causa da eleição (2%).

A grande maioria dos entrevistados disse ter a intenção de dar pelo menos uma lembrança este ano (87%), aumento de 20 pontos porcentuais em relação a 2013. O principal local de compra será os shoppings centers (62%), seguido pela internet (40%) e lojas de rua/bairro (39%). Já a principal forma de pagamento continua sendo o dinheiro, apesar de ter caído de 57% para 50% entre os dois anos; seguido por cartão de crédito parcelado e à vista, que aumentaram de 16% para 27% e de 9% para 10%, respectivamente; e cartão de débito (de 5% para 2%).

"Houve uma migração do dinheiro, que diminuiu, para o cartão de crédito, principalmente o parcelado. Isso foi o jeito encontrado pelo consumidor de sair desse cenário econômico ruim", avaliou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. Segundo ela, os dados da pesquisa mostram que o consumidor tem a intenção de gastar menos, mas, na hora que ponderam os preços vigentes, percebem que não vão conseguir. "É a vontade contra o que ela vai conseguir gastar de fato", disse, destacando que, no Natal, é difícil de as pessoas se retraírem, mesmo diante de uma perspectiva ruim.

Metodologia. A pesquisa entrevistou 624 pessoas de ambos os sexos e de todas as idades e classes sociais nas 27 capitais brasileiras. A margem de erro é de, no máximo, 3,7 pontos porcentuais, para um intervalo de confiança de 95%. Isso significa que, em 100 levantamentos com a mesma metodologia, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95 ocasiões.

Segundo o SPC, o objetivo do levantamento foi avaliar a intenção de compras no Natal de 2014, mapeando as preferências e percepções dos consumidores em relação aos produtos, preços, forma de pagamento e locais de compra.

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