No primeiro Angelus, papa fala em perdão e comove 150 mil no Vaticano

O papa Francisco comoveu e entusiasmou uma multidão de mais de 150 mil pessoas que, segundo a Rádio Vaticano, rezaram com ele o tradicional Angelus de meio-dia de domingo. "Deus não se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão", disse o papa, repetindo essas palavras várias vezes em sua catequese ou reflexão sobre o trecho do Evangelho que ontem narrava o episódio da mulher adúltera, perdoada por Jesus enquanto os escribas e fariseus diziam que, de acordo com a lei de Moisés, ela tinha de ser apedrejada.

JOSÉ MARIA MAYRINK, ANDREI NETTO, ENVIADOS ESPECIAIS / VATICANO, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h02

Ao chegar à janela de seu apartamento, no último andar do Palácio Apostólico, o papa levantou o braço direito e saudou os fiéis com um caloroso "bom dia" e falou da alegria de estar ali no domingo, "dia do Senhor, dia de se cumprimentar, de se encontrar e conversar, como aqui agora, nesta praça, uma praça que, graças à mídia, é do tamanho do mundo". O tom informal, reforçado com uma quebra do protocolo pela manhã, quando cumprimentou populares, está encantando fiéis (mais informações na pág. A12)

Francisco, que falou 10 minutos em italiano, deixou o texto de lado duas vezes para contar um episódio de 20 anos atrás e elogiar um livro do cardeal Walter Kasper, que acaba de ler. Falando da misericórdia divina, ele contou que uma "nona", uma velhinha, lhe disse uma frase que o comoveu. "Nós todos cometemos pecados. Se Deus não perdoasse os homens, o mundo não existiria", argumentou a mulher. Na época, em 1992, ele era recém-nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires e se admirou que, com mais de 80 anos, ela quisesse se confessar. O papa, então, brincou que a mulher deveria ter estudado na Universidade Gregoriana, de Roma.

O papa abandonou o texto também para citar o livro sobre misericórdia, de autoria de Kasper, "um ótimo teólogo", que leu nos últimos dias. "O livro faz entender que a palavra misericórdia muda tudo, torna o mundo menos frio e mais justo", disse o papa, com a ressalva de que com isso não queria fazer publicidade do livro do cardeal.

Orgulho. Antes de encerrar a mensagem, Bergoglio lembrou que sua família é de origem italiana, mas "nós fazemos parte de uma família maior, a família da Igreja, que caminha no Evangelho". No meio da multidão, um grupo de jovens levantou um cartaz: "Papa Bergoglio, il nostro orgoglio" ("Papa Bergoglio, nosso orgulho", em italiano).

Havia dezenas de faixas, cartazes e bandeiras espalhadas pela Praça São Pedro. Movimentos apostólicos e de vida consagrada, como o Neocatecumenato, Shalon, Comunhão e Libertação e também a velha Ação Católica Italiana, juravam amor e fidelidade a Francisco.

Ao concluir o Angelus, que durou 15 minutos, Francisco se despediu com informalidade: "Bom domingo, bom almoço".

"O papa é de Deus", disse o padre austríaco Geissler Hermann, da comunidade Família Espiritual Obra, que trabalha na Congregação para a Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício. Nesta hora, não importa que o papa não seja europeu, mas um sul-americano e argentino que veio do "fim do mundo", como o próprio Francisco disse em sua primeira mensagem como papa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.