No Rio, 3.289 mil foram recolhidos em ação contra crack

No mês em que as operações de recolhimento dos usuários de crack no Rio completarão um ano, os agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social levaram hoje para abrigos 56 pessoas, sendo 48 adultos e 8 adolescentes. Todos estavam na maior e mais resistente cracolândia da cidade, na Favela do Jacarezinho, na zona norte.

PEDRO DANTAS, Agência Estado

07 Março 2012 | 19h47

Desde o início das operações, no dia 31 de março de 2011, o número de usuários de crack recolhidos em toda a cidade chegou a 3.289, sendo 2.788 adultos e 501 crianças e adolescentes. Desde maio do ano passado, a Prefeitura do Rio adotou a internação compulsória e tratou 118 menores de idade, mesmo sem o consentimento dos pais.

A rotina das equipes de abordagem aos usuários da droga é perigosa. Na chegada, os agentes foram recebidos a pedradas e houve correria entre os viciados. Em janeiro deste ano, a Prefeitura do Rio anunciou o plano para ocupar permanentemente a cracolândia do Jacarezinho. Na ocasião, o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, disse que a ideia era inspirada na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) presente em algumas favelas cariocas.

Hoje, a reportagem acompanhou a chegada ao abrigo da Cidade Nova (região central) de quatro adolescentes recolhidos na operação. L., de 16 anos, era um deles. Segundo os assistentes, ele perdeu o contato com a mãe, já passou por várias internações, cumpriu pena em unidades sócio educativas e sempre volta para a cracolândia do Jacarezinho. "Minha mãe foi morar no Morro dos Macacos, em Vila Isabel (zona norte). Nunca mais vi", disse o adolescente. Há duas semanas na unidade, J., de 15 , reconheceu os benefícios do tempo no abrigo, mas está certo que vai voltar para as ruas. "Quando cheguei aqui parecia um palito. Agora, até a minha barriga cresceu, mas quero voltar. Estou aqui há muito tempo. Não fumo crack. Só maconha", justificou.

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