No Rio, Complexo do Alemão será policiado por 450 homens

Agentes farão segurança com armas não-letais e policiamento comunitário, parte do projeto Território da Paz

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2008 | 19h34

A partir desta quarta-feira, 4, o policiamento no Complexo do Alemão, principal reduto do Comando Vermelho, será feito por 450 homens com treinamento em uso de arma não-letal, direitos humanos e policiamento comunitário. Inicialmente, eles ficarão baseados em oito furgões na Favela Nova Brasília, uma das 12 comunidades do complexo. Até março, estarão instalados em 20 contêineres blindados espalhados em pontos estratégicos do conjunto de favelas. Outros 150 homens estão em treinamento.   Veja também: Governo lança projeto para pacificar áreas violentas   "Nós temos demonstração na vida de que as grandes operações têm determinado resultado. A política do sobe-morro-desce-morro está sendo hoje afastada e substituída pela política da segurança e da convivência", afirmou o secretário-executivo do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Ronaldo Teixeira. O lançamento da nova modalidade de segurança e outras ações para o controle da violência fazem parte do programa Território da Paz, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança no Rio.   Até agora, a política de segurança no Complexo do Alemão se baseou no confronto. A atuação policial ali já foi comparada a um "inseticida social" por um comandante da PM. No ano passado, os moradores da região - 97 mil, segundo o IBGE - , acompanharam 42 dias consecutivos de confrontos entre policiais e criminosos, no ano passado. Sete mil crianças ficaram sem aulas por dois meses. Entre maio e agosto de 2007, 44 pessoas morreram - 19 delas num só dia - e 81 ficaram feridas. Em abril desse ano, as operações policiais deixaram 16 mortos e sete feridos.   A intenção inicial da secretaria de Segurança era repetir no Rio a estratégia colombiana na favela Comuna 13, em Medelín. Em 2002, operação com 3 mil homens deixou 13 mortos e 35 feridos antes de terem início as obras de urbanização. No Complexo do Alemão, 60 morreram contabilizando-se apenas as operações de maio a agosto do ano passado e as de abril de 2008. Mas o tráfico está longe de arrefecer. Ontem, a equipe do Estado esteve numa das frentes de obras no Morro do Adeus e havia um homem armado de fuzil próximo dos operários.   "Queremos chegar à área conflagrada, ter a polícia de proximidade, identificarmos os jovens em conflito com a lei que possam ser resgatados com ações de cultura, esportivas e de cidadania. A nossa presença vai constranger a atuação das organizações criminosas que não querem o Estado ali", afirmou Teixeira.   Os policiais que atuarão no Alemão são ligados ao 16.º Batalhão da PM. Por terem feito os cursos de capacitação, recebem bolsa de R$ 400. Eles tem que fazer pelo menos um curso anual para manter a gratificação. Para ser policial comunitário, é preciso receber até R$ 1.700 e ter a ficha limpa. Teixeira informou que há verbas para fortalecimento da corregedoria, a fim de coibir a corrupção.   O Complexo do Alemão é um dos principais projetos do chamado PAC das favelas. Ali terá a maior intervenção, com a construção de um teleférico, ligando cinco comunidades do Alemão à estação de trem. Estão previstos ainda construção de 2.620 apartamentos, biblioteca, hospital, escola de ensino médio, duas creches, abertura de ruas. Nesta quarta, Lula visita os edifícios com 266 apartamentos que serão entregues em maio de 2009.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.