No Rio, especialistas propõem nova classificação para dengue

Para pesquisadores, método atual, que segue OMS, não notifica corretamente os tipos mais graves da doença

Fabiana Cimieri, de O Estado de S.Paulo,

11 de abril de 2008 | 18h52

Pesquisadores especialistas em dengue propõe um novo sistema de classificação da doença, pois estão insatisfeitos com o atual, que divide os casos em dengue e febre por dengue hemorrágica (FDH). Esses critérios seguem as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), estabelecidos em 1994. O que os especialistas alegam é que esse sistema vem levando à subnotificação das formas mais graves da doença, porque não preenchem a todos os critérios para classificação de dengue por febre hemorrágica. Um novo sistema de classificação foi discutido nesta sexta-feira, 11, no 2º Simpósio Nacional sobre o Dengue, na Academia Nacional de Medicina, no Rio.   Veja também: Especial - Acompanhe o avanço da dengue  Mais 3 cidades de SP estão em alerta contra a dengue Casos de dengue no Rio sobem 32% em uma semana   De acordo com o infectologista doutorando do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Ricardo Tristão Sá, o protocolo atual pode gerar confusão na hora de diferenciar a dengue clássica da dengue hemorrágica. "É um paradoxo, pois temos casos de dengue clássico com sangramento e febre por dengue hemorrágico sem sangramento aparente", disse ele, em sua apresentação.   Pelos critérios da OMS, só podem ser classificados com febre por dengue hemorrágica os casos em que houver todos os seguintes sintomas: quadro compatível com a dengue, alguma manifestação hemorrágica, mesmo que sejam apenas manchas vermelhas, plaquetas abaixo de 100 mil por milímetro cúbico e 20% de extravasamento de plasma, que é medido pelo número de hematócritos.   "A pressão baixa às vezes é um sinal de alerta para a gravidade maior do que o sangramento, que também é comum de ocorrer em casos de dengue clássica", afirmou Tristão Sá.   O Ministério da Saúde adota, desde o final dos anos 90, a classificação de dengue com complicações. No entanto, quando esses números são repassados à OMS, eles são incorporados à estatística de dengue clássica.   O novo sistema de classificação proposto por Tristão Sá acaba com a terminologia "dengue hemorrágica" e passa a dividir os casos em dengue, dengue potencialmente grave e dengue grave. Os critérios seriam se existe, não existe ou existe em pequeno grau: sinais de extravasamento de plasma, sangramento, queda no número de plaquetas e disfunção no funcionamento dos órgãos.   "Temos que fazer um estudo representativo, com um grande número de pessoas, de todas as idades, de vários países, para que possamos chegar numa classificação que melhore a assistência", alertou. Para ele, algumas mortes podem ter acontecido porque a população está acostumada a pensar que a dengue clássica não mata e que a dengue hemorrágica é fatal.   O índice aceitável de letalidade é de apenas 1% nos casos de dengue hemorrágica. Isso não é verdade. No município do Rio, das 50 mortes confirmadas, 28 foram por dengue hemorrágica e 22 de complicações da dengue. Nesta sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou a morte de um homem de 46 anos, no dia 8 de abril, no Hospital da Obra Portuguesa, no centro.

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