No Rio, familiares pedem respostas sobre voo 447 da Air France

Dezenas de familiares dos brasileiros que estavam a bordo do voo 447 da Air France, que desapareceu quando fazia a rota Rio-Paris, esperam confirmações sobre os restos de uma aeronave visualizados pelos aviões de buscas da FAB no oceano Atlântico.

REUTERS

02 de junho de 2009 | 13h30

No avião, com 228 pessoas a bordo, havia passageiros de 32 nacionalidades, sendo a maioria brasileiros e franceses. Até agora nenhuma lista oficial com nomes dos que estavam a bordo foi divulgada pelas autoridades, nem pela companhia aérea no Brasil.

Segundo a diretora da Air France no Brasil, Isabelle Birem, a lista dos que estavam no voo desaparecido há quase 40 horas pode ser divulgada na quarta-feira.

Abalada, a mãe do dentista Ronnel Amorim, que morava em Londres e veio passar aniversário com a família, não escondia a tristeza e falta de esperanças sobre o destino de seu filho.

"Ele faleceu no dia do aniversário dele. Vou questionar com o ministro (da Defesa, Nelson Jobim), por que tanta demora na confirmação das informações", disse Diana Raquel, após ser informada que aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) avistaram na manhã desta terça-feira destroços de um avião no oceano Atlântico, perto do local onde o Airbus A330 fez o último contato na noite de domingo.

A mãe do passageiro está no hotel, na zona oeste do Rio, onde a companhia aérea montou um esquema especial para atender familiares dos que estavam a bordo do avião.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cerca de 50 pessoas passaram a noite no hotel. A cada momento, chegam familiares em busca de informações.

O ministro Jobim é aguardado ainda nesta terça-feira no local, onde deve prestar informações sobre as buscas.

O avião da Air France passou por forte turbulência quatro horas após decolar do Rio, na noite de domingo, e 15 minutos depois enviou uma mensagem automática reportando problemas elétricos e despressurização.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros a bordo de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

"As informações que nós temos são aquelas que nós recebemos ouvindo as rádios. A família está sofrendo muito e com a falta de informação. Esperamos que tudo termine da melhor forma possível", disse o irmão da passageira Simone Giacomo, que não quis se identificar.

Em homenagem ao sobrinho, único brasileiro a integrar a tripulação do AF 447, Jorge Luís, que não quis fornecer seu sobrenome, levou uma foto do comissário brasileiro Lucas Gagriano, que mostrou a jornalistas.

"Meu sobrinho era comissário, tinha 24 anos e uma vida inteira pela frente. Eu trouxe uma foto dele aqui para que vocês possam divulgar", disse, mostrando emocionado a fotografia do sobrinho.

"Vocês têm a cara dele aí. Divulguem, por favor, é uma homenagem que nós queremos fazer", acrescentou.

(Por Rodrigo Viga Gaier; Texto de Maria Pia Palermo; Edição de Pedro Fonseca)

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