Reprodução Twitter Raull Santiago
Reprodução Twitter Raull Santiago

No Rio, manifestantes fazem ato por vidas negras na porta do Palácio Guanabara

Manifestação se dá no momento em que os Estados Unidos têm registrado dias seguidos de protestos pela morte de George Floyd

Caio Sartori e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2020 | 16h21

RIO – Terminou com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha um ato em defesa das vidas negras organizado na tarde deste domingo, 31, na porta do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio. Manifestantes se reuniram, com distanciamento um do outro, desde por volta das 15 horas, em meio à onda de protestos nos Estados Unidos por causa da morte de George Floyd, sufocado pela polícia em Minneapolis, no Estado de Minnesota.

O protesto no Rio começou pacificamente, mas, segundo imagens do canal por assinatura GloboNews e de vídeos publicados nas redes sociais, tropas da Polícia Militar (PM) usaram tiros de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Conforme as imagens da GloboNews, um homem foi preso após um policial apontar um fuzil para sua cabeça.

Procurada, a assessoria de imprensa da PM não confirmou a prisão nem se posicionou sobre a atuação dos policiais no protesto.

Os participantes pediam o fim da morte de jovens negros nas favelas – como a do menino João Pedro, de 14 anos, morto neste mês durante operação policial no Complexo do Salgueiro, no município de São Gonçalo. Ele estava dentro de casa quando foi atingido.

Os manifestantes carregavam cartazes com dizeres como ‘Vidas negras importam’, ‘Estado genocida’ e ‘Parem de nos matar.’ No ano passado, a polícia do Rio matou 1.810 pessoas, um recorde.  O número representou um aumento de 18% em comparação com o ano anterior.

Antes da dispersão pela PM, em transmissão ao vivo do ato, o ativista Raull Santiago, do Complexo do Alemão, afirmou que eles estavam ali para “tentar sobreviver ao vírus sem ter que se esquivar do tiroteio da polícia, sem ter que carregar os corpos dos nossos irmãos e das nossas irmãs”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.