No Rio, notas de escolas sobem com ensino integral

Unidades que participam de programa-piloto do município têm mais aulas e professores com dedicação exclusiva

O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h09

No Rio, o Ideb dos anos finais da Escola Municipal Orsina da Fonseca, na Tijuca, zona norte, saiu de 3,2, em 2009, para 6,2, em 2011. Quase o dobro. O mesmo aconteceu com a Escola Municipal Rivadavia Correa, no centro, em que o salto foi de 3,5 para 6,1.

Uma melhora para a qual a secretária de Educação do município, Cláudia Costin, tem a explicação na ponta da língua: "Elas fizeram parte do Ginásio Experimental".

O programa-piloto, implementado em dez escolas no ano de 2011, nasceu exatamente para ajudar os alunos dos últimos anos do fundamental. Nessas unidades, os alunos estudam em horário integral, têm mais tempo de aulas de português, matemática, ciências e inglês e contam com professores em dedicação exclusiva. Isso além do acompanhamento de um professor-tutor, que os auxilia na construção de um projeto de vida.

Das dez escolas que integraram o programa, quatro ficaram na lista das dez com Ideb mais alto no município. "Se considerarmos a data em que a Prova Brasil foi aplicada em 2011, o aumento expressivo do Ideb é resultado de apenas oito meses de aula nesse formato", diz Cláudia.

Neste ano, mais nove escolas foram acrescentadas ao projeto e a meta é que 100% da rede - que tem 415 escolas de ensino fundamental 2 e 237,5 mil alunos no ciclo - funcione em período integral até 2020.

Gradual. Ao mesmo tempo em que ocorre o programa-piloto, as outras escolas da cidade também passam por modificações.

Desde 2011, o novo modelo de ensino para as escolas dos anos finais do ensino fundamental ganhou o nome de Ginásio Carioca e vem sustentado no uso das novas tecnologias (portal de aulas digitais) e com materiais didáticos estruturados por apostilas de conteúdo e exercícios.

O currículo foi definido com base nos conteúdos exigidos pelo Pisa - avaliação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede os conhecimentos de português, matemática, ciências e redação dos jovens de 15 anos. Em parte dessas escolas, há uma modificação importante na 5.ª série: em vez da divisão de matérias e da existência de vários professores, os alunos continuam mais este ano com um docente polivalente.

"Como eles ainda são muito novos, têm cerca de 11 anos, prorrogar por um ano a estadia deles com um professor só ajudou a amadurecer", avalia Isabel Santana, da Fundação Itaú Social.

Ao resolverem a mesma prova de matemática, a nota dos que se mantiveram com o polivalente foi de 7,8. Quem teve um docente especialista conseguiu 5,4. Enquanto o Ideb dos anos finais do ensino fundamental subiu 0,2 ponto nas escolas públicas do País (de 3,7 para 3,9), o da cidade do Rio foi de 3,6 para 4,4. / O.B.

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