No sossego da serra

Cercado pela Mata Atlântica, engenheiro realiza sonho de viver num chalé de montanha

Julia Contier - O Estado de S. Paulo,

12 de fevereiro de 2011 | 16h00

Erguida para ser uma casa de fim de semana em São Lourenço da Serra, a construção de 250 m² ficou tão aconchegante que acabou se tornando a morada permanente do engenheiro civil Hélio Fronza, de 53 anos. Todos os detalhes do projeto foram pensados para proporcionar a máxima integração com os 37 hectares de Mata Atlântica que o cercam. Integração que tem na varanda e nos janelões com vista para a mata o seu ponto de destaque.

Concebido por Bianka Mugnatto, com a colaboração de Ana Flávia Viscaino, o projeto partiu de uma diretriz: a praticidade. Foi daí que elas criaram a área social sem paredes, em que o living, a cozinha e a sala de jantar são delimitados apenas pela disposição dos móveis.

O bom diálogo entre arquiteta e o proprietário engenheiro fez com que a casa fosse erguida a quatro mãos. Um de seus aspectos mais interessantes é escolha dos materiais - que faz jus à praticidade pretendida. Caibros de eucalipto tratado sustentam a estrutura e destacam o pé-direito de 5,68m. "Queria uma casa que lembrasse os chalés de montanha americanos, por isso escolhemos a tora como elemento principal", diz Hélio. Para assegurar que só trabalhariam com madeira de reflorestamento, o proprietário e a arquiteta contaram com o auxílio de uma empresa familiar especializada em erguer casas de eucalipto, comandada por João Carlos Girotto.

O visual de simplicidade campestre é complementado pelo piso de cimento queimado, pelos tijolos aparentes na sala de jantar e pelos painéis de ladrilho hidráulico na cozinha - tanto na bancada que contém a pia quanto na área dedicada à mesa de refeições. "As diferentes texturas ajudam também a definir os ambientes em um espaço integrado", explica Bianka. Pensando nisso, alguns trechos foram delimitados por paredes revestidas de madeira, como o da lareira. A mistura de acabamentos também acontece na parte de fora da casa, onde as pedras definem o muro, as paredes da chaminé e da churrasqueira.

A decoração foi pensada para casar com o estilo dos chalés que inspiraram a construção. Os móveis rústicos (do sofá à mesa da copa) foram todos comprados na feira de arte e artesanato de Embu das Artes, obedecendo a especificações e medidas traçadas pelas arquitetas. "Os clientes orientaram a escolha do mobiliário pelas especificações que traçamos e que também previa o posicionamento de cada peça na demarcação dos ambientes", diz Bianka.

Quartos com vista. Além da área de convívio, o térreo abriga dois dormitórios de hóspedes. Outros dois, incluindo a suíte principal, ficam no pavimento superior. Em nome de conforto térmico e do aconchego, o pé direito dos espaços que compõem a ala íntima foi reduzido - para 2,80 m nos quartos do térreo e 3 m nos do segundo andar. O forro aparente, que deixa as telhas à mostra sob os caibros de eucalipto na área de convivência, deu lugar a um forro de madeira com tratamento acústico.

Para evitar que ficassem isolados do entorno, todos eles foram planejados a partir do posicionamento das janelas, que têm a angulação exata para permitir maior incidência de luz natural e uma vista total do verde. "Fotografamos a paisagem e calculamos o ponto em que cada abertura deveria ficar. Assim, é possível ver a mata deitado na banheira, ou na cama", dia Bianka.

 

 

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