Khaled Elfiqi/Efe
Khaled Elfiqi/Efe

Nobel da Paz pode premiar ativistas da Primavera Árabe

Comitê norueguês quer laurear pessoas ligadas às grandes questões internacionais

Reuters

27 de setembro de 2011 | 18h48

OSLO - O Prêmio Nobel da Paz de 2011 pode ser concedido a ativistas que ajudaram a desencadear a onda revolucionária que varreu o Norte da África e o Oriente Médio neste ano, e que ficou conhecida como Primavera Árabe.

 

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Segundo especialistas no prêmio, a escolha, a ser anunciada em 7 de outubro, pode recair sobre um ou mais dos seguintes ativistas: o egípcio Wael Ghonin, executivo do Google; o Movimento Juvenil 6 de Abril, também do Egito, e seu cofundador Israa Abdel Fattah; ou a blogueira tunisiana Lina Ben Mhenni.

 

"Minha forte sensação é de que o comitê (do Nobel) e seu líder querem refletir sobre as maiores questões internacionais, conforme definidas por uma definição ampla de paz", disse o vice-chanceler norueguês Jan Egeland. "Seguindo esta lógica, será a Primavera Árabe neste ano. Nada chega perto dela como um momento definidor da nossa época."

Uma lista recorde de 241 candidatos, incluindo 53 organizações, foi apresentada neste ano aos cinco membros do comitê, que farão sua última reunião em 30 de setembro. O ganhador recebe 10 milhões de coroas norueguesas (1,5 milhão de dólares).

As rebeliões populares deste ano levaram à derrubada de governos autocráticos na Tunísia, no Egito e na Líbia, e há fortes movimentos oposicionistas atuando também na Síria, no Iêmen e em outros países da região.

A opinião de Egeland foi partilhada por Kristian Berg Harpviken, presidente do Instituto de Pesquisas da Paz, em Oslo. "A Primavera Árabe estará bem no topo da pauta das deliberações internas do comitê", disse ele à Reuters.

"O que tem ficado muito claro com o atual comitê ... é que ele quer realmente falar para os assuntos atuais. Há uma avidez não só por conceder um prêmio que tenha um impacto no presente, mas também para usar o prêmio para impactar o presente." O comitê disse que há neste ano "alguns" candidatos ligados à Primavera Árabe, mas não os identificou.

Outros candidatos confirmados neste ano incluem Julian Assange, fundador do site WikiLeaks; o maestro israelense Daniel Baremboim; a ativista afegã de direitos humanos Sima Samar; a União Europeia e o ex-chanceler alemão Helmut Kohl.

Também estão na lista o dissidente cubano Oswaldo Payá; a entidade russa de direitos humanos Memorial, e sua fundadora, Svetlana Gannushkina; o ex-soldado norte-americano Bradley Manning, apontado como responsável por entregar documentos sigilosos dos EUA ao WikiLeaks; e o médico congolês Denis Mukwege.

As indicações ao Nobel da Paz permanecem secretas durante pelo menos 50 anos, a não ser que a pessoa responsável pela indicação revele seu candidato. Entre os que podem fazer indicações estão ex-ganhadores do Nobel da Paz, parlamentares e governos.

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