Nome de almirante será retirado de prédio de escola

A Congregação do Colégio Pedro II decidiu hoje, por 33 votos contra uma abstenção, retirar o nome do almirante Augusto Rademaker do prédio da direção-geral da instituição, localizado no Centro do Rio de Janeiro. Ex-aluno do estabelecimento, o oficial integrou a Junta Militar que governou o País entre agosto e outubro de 1969 e depois foi nomeado vice-presidente durante a gestão do general Emílio Garrastazu Médici (1969/1974).

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

19 de abril de 2011 | 19h43

Professores, alunos e entidades de representação fizeram pressão para que o nome de Rademaker fosse retirado do prédio. Um abaixo assinado online reuniu apoio de 485 pessoas. "A manutenção da triste homenagem ofende e mancha a memória de professores perseguidos, cassados e de todos os alunos barbaramente torturados e mortos naquele momento", afirma o texto assinado pelo movimento "Lutar quando é fácil ceder" do Colégio Pedro II.

De acordo com o diretor da unidade da instituição, professor Flávio de Oliveira Norte, no entanto, a decisão foi irrelevante, pois trata-se apenas de um processo de reorganização do colégio iniciado em 1995. "Antigamente, a unidade Centro era chamada Bernardo de Vasconcellos, uma homenagem ao ministro do Império que fundou o Pedro II", contou Norte. "O único prédio que ficou esquecido nesse processo de reorganização iniciado em 1995 foi o da direção-geral", explicou o professor.

Ainda segundo ele, houve um pedido por parte dos estudantes para que o prédio recebesse o nome de algum ex-aluno que tenha sido perseguido ou morto no período militar. "Mas essa questão não foi apreciada durante a reunião", disse Norte.

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