Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nome de relator da denúncia do Temer só será anunciado na próxima semana

Apesar de a expectativa de que o presidente da CCJ revelasse o escolhido para relatoria na tarde desta quinta, Pacheco deixou o anúncio para a semana que vem

Julia Lindner, Isadora Peron e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 17h17

BRASÍLIA - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse, nesta quinta-feira, 29, ao Estado que só vai anunciar o nome do relator da denúncia contra o presidente Michel Temer na próxima semana. Ele quer indicar um parlamentar com perfil independente, mas o Palácio do Planalto pressiona para que o escolhido seja um aliado fiel ao presidente.

A expectativa era que Pacheco revelasse o nome do relator já nesta quinta-feira, 29, após a denúncia chegar formalmente à CCJ, o que aconteceu por volta das 16h30.

O deputado, no entanto, viajou cedo para Minas Gerais e disse que resolveu deixar o anúncio para a semana que vem. No mais tardar, terça-feira, 4. O peemedebista tem mantido suspense sobre quem será o indicado, mas figuram na lista de apostas os deputados Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) - próximo de Pacheco e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) -, Esperidião Amin (PP-SC), José Fogaça (PMDB-RS) e os tucanos Betinho Gomes (PE) e Fábio Sousa (GO). 

O nome de Marcos Rogério (DEM-RO) vem perdendo força por ser do mesmo partido do presidente da Câmara, apesar de sua boa relação com Pacheco. A oposição sugeriu também o nome de Tadeu Alencar (PSB-PE).

Interlocutores de Temer, no entanto, pressionam para que o relator seja um nome mais alinhado ao Planalto. Jones Martins (PMDB-RS), apadrinhado político do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, é colocado como uma opção pró-governo. O preferido de alguns governistas, no entanto, é o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), conhecido por seu perfil aguerrido e defensor incansável do governo na CCJ. 

Em um tom de cobrança, deputados próximos a Temer afirmam que Pacheco só preside a CCJ porque foi indicado pelo PMDB para o cargo e que, agora, não pode se virar contra o partido. O peemedebista, no entanto, tem dito a interlocutores que não vai fazer somente o que o governo quer. 

 "O momento é delicado, grave, que exige responsabilidade, serenidade, isenção e independência. Essa é a postura que a comissão tem que ter diante de um assunto desse", disse Pacheco.

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