Nomeação de ministro da Saúde é elogiada por militantes

Para entidades de saúde e especialistas da área, Alexandre Padilha tem perfil técnico e experiência na política

Fabiane Leite, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2010 | 00h00

O perfil do médico infectologista Alexandre Padilha, escolhido para o Ministério da Saúde pela presidente eleita Dilma Roussef (PT), agradou diferentes militantes do setor, apesar de sua pequena experiência como gestor. Eles o classificaram como um político com bom currículo técnico. Também houve entusiasmo na chegada do ministro atual, José Gomes Temporão (PMDB), em 2007, que dispunha de uma experiência um pouco maior.

O futuro titular da Saúde, atual ministro das Relações Institucionais e militante do PT, é formado pela Universidade Estadual de Campinas e tem pós-graduação em infectologia pela Universidade de São Paulo. No Pará, coordenou um plano de enfrentamento da malária. O trabalho chamou a atenção do então secretário executivo do Ministério da Saúde, Gastão Campos. Foi Campos, professor da Unicamp, que o levou em 2005 à direção de saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), durante crise causada por mortes de crianças em aldeias.

Para o presidente da Associação Paulista de Saúde Pública, Paulo Capucci, o fato de Padilha fazer parte do núcleo duro da presidente é bom para a saúde. "A escolha recoloca o SUS como prioridade para o governo federal", afirma Capucci, que espera que a expansão da oferta de serviços e o financiamento da saúde sejam prioridade - a área de saúde foi uma das mais mal avaliadas pela população no governo Lula, apontam pesquisas.

"Entre os ventilados, ele era o que tinha melhores condições de abrir diálogo com os movimentos sociais", diz Francisco Batista Júnior, presidente do Conselho Nacional de Saúde, que cobra de Padilha o combate à terceirização de serviços na saúde pública. "Uma pessoa que trabalhou no combate à malária é melhor que um medalhão que não entenda nada do Sistema Único de Saúde", continuou.

"Apesar de não ser um sanitarista histórico, é bom que tenha um perfil político, pois as grandes reformas necessárias no SUS são políticas, como a regulamentação da emenda 29 (que definiu o quanto as esferas de governo devem gastar em saúde) e a regulação da relação entre os planos de saúde e o SUS", disse Mário Scheffer, pesquisador da área de planos de saúde na Universidade de São Paulo.

"Estivemos com ele para falar de uma carreira de Estado para os médicos e nos parece tecnicamente adequado e capaz de conduzir diálogos", afirmou José Luiz Gomes do Amaral, da Associação Médica Brasileira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.